Pesquisa sísmica da Agência Nacional do Petróleo avalia potencial do Sudoeste

Empresa responsável pelo estudo se instalou em Dois Vizinhos em novembro e representante esteve em Beltrão ontem.

 

Caminhões ocuparam uma das faixas da rodovia em trechos do Contorno Leste.
Foto: Rubens Anater/JdeB

Ontem, uma comitiva de dez caminhões esteve no Contorno Leste de Francisco Beltrão e parou o trânsito em um dos lados da pista em vários pontos durante o dia. Eram caminhões diferentes dos que circulam na região, causando estranheza nas pessoas que passavam pelo local. No entanto, eles não são novidade no Sudoeste.

Desde novembro de 2016, a empresa Global Geophysical Services (Global Serviços Geofísicos) – responsável pelos caminhões – está instalada em Dois Vizinhos (como já foi noticiado pelo Jornal de Beltrão) e durante os últimos meses esses veículos têm trafegado pelo Sudoeste e também por outras regiões do Paraná, São Paulo e Santa Catarina, realizando uma pesquisa sísmica na Bacia Sedimentar do Paraná.
A pesquisa é encomendada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e tem como objetivo aumentar o conhecimento geológico e demonstrar o potencial petrolífero dessa bacia sedimentar – ou seja, verificar se existe petróleo ou gás natural na região. “A Bacia Sedimentar do Paraná possui inúmeros indícios da ocorrência de petróleo e gás natural, mas ainda não possui campos produtores”, informa a nota da assessoria.
A assessoria também garante que a pesquisa não agride o meio ambiente, tampouco tem relação com o polêmico método de fraturamento hidráulico (fracking) de extração de gás não convencional (gás xisto).
Além disso, a assessoria informa que o projeto foi contratado pela ANP em 2015 por meio de licitação pública e se insere no Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica, um programa de aquisição sistemática de dados geológicos e geofísicos para aumentar o conhecimento das bacias sedimentares de nova fronteira. A previsão é que os trabalhos de campo sejam concluídos até o fim de fevereiro.

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A pesquisa sísmica
Quem teve a oportunidade de passar por locais onde os dez caminhões faziam a pesquisa sísmica, pôde notar que o asfalto e a terra dos arredores treme durante o processo. Isso acontece por causa do método utilizado para verificar a presença de reservas naturais no subsolo.
Segundo a assessoria da ANP, os veículos vistos ontem em Beltrão são caminhões que emitem vibrações (ondas sonoras) em pontos pré-determinados ao longo das rodovias envolvidas na locação do projeto. Essas ondas atravessam as rochas que ocorrem em subsuperfície, são refletidas e retornam para a superfície, onde são registradas em equipamentos específicos, denominados geofones. A partir do tempo de viagem das ondas sonoras e posterior tratamento dos dados, são geradas imagens do subsolo. Nessas imagens é possível identificar e rastrear as camadas rochosas que ocorrem na subsuperfície. A pesquisa possibilita avaliar se a configuração é ou não adequada para a geração e acumulação de petróleo ou de gás natural.
A pesquisa sísmica com caminhões vibradores é realizada em estradas federais, estaduais e municipais. Os dados adquiridos serão inteiramente públicos e, após a conclusão do projeto, estarão disponíveis para consulta no Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da ANP.
Essas pesquisas não são suficientes para afirmar que existe petróleo ou gás natural em algum local. Ela pode avaliar o potencial petrolífero, mas estudos mais detalhados são necessários para identificar possíveis acumulações de petróleo e só com a perfuração de poços pode-se comprovar sua presença. *Com informações da assessoria da ANP.

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