Ginástica laboral, a proposta para uma vida de qualidade
Publicado em: 11/10/2011 - 11:13 | Atualizado em: 24/02/2013 - 10:07
Por Thiago Chiapetti
A proposta de parar entre 10 e 15 minutos para fazer alongamentos no ambiente de trabalho deixou de ser um simples convite. A prevenção de doenças também já não é o principal enfoque do discurso da ginástica laboral, que agora propõe melhorar a qualidade de vida de empresários e seus colaboradores. E a desmotivação — indícios do sedentarismo — está, aos poucos, cedendo ao papel do educador físico, um dos profissionais indicados para tratar do assunto.
As professoras de Educação Física do Sesi Andréia Piasecki Dalla Costa e Vanessa Maciel Gandara Martins atuam nesta área. Elas desenvolvem propostas e visitam empresas para apresentar soluções que vão além da produtividade do trabalhador. Elas afirmam que, em poucos minutos diários, é possível melhorar o rendimento físico e mental. Uma alternativa que, segundo o que disseram ao JdeB, vem contribuindo com a gestão de pessoas. Confira na entrevista a seguir.
JdeB - Como vocês veem a evolução da ginástica laboral?
Andréia - As empresas cada vez mais estão aderindo à ginástica laboral, por fazer parte de um programa de qualidade de vida e bem-estar para os funcionários. Teve um crescimento e uma evolução significativa por parte da aceitação nas empresas e pela valorização do profissional atuante.
Vanessa - Eu faço este trabalho há seis anos e percebo uma melhora na conscientização das pessoas. Não é fácil implantar a ginástica em uma empresa, principalmente no caso dos homens. Eles tinham muita resistência, no início, com exercícios e alongamentos. Hoje em dia está melhorando porque nós, profissionais, estamos mais presentes nas empresas não fazendo apenas alongamentos, também relaxamento, recreação, orientações aos funcionários.
JdeB - E os benefícios?
Andréia – Ajuda a melhorar a autoestima, o trabalho em equipe, a motivação, o absenteísmo, diminuição do risco de lesões, relaxamento dos músculos, melhora de postura e alívio nas dores corporais.
JdeB - A qualidade de vida é um dos objetivos e a prevenção é um ponto interessante?
Vanessa – Isso mesmo. A prevenção é a palavra chave, pois a redução de danos é um dos principais interesses quando o empresário compra um programa de ginástica laboral. Não dá pra fazer um trabalho de condicionamento físico porque a ginástica dura pouco tempo. Mas com o alongamento, os movimentos e as articulações são lubrificadas. E é possível trabalhar a coordenação motora.
JdeB - E como é a conscientização?
Vanessa – O processo de conscientização inicia na venda do programa e na implantação na empresa para os funcionários. Nas empresas que atendemos, os colaboradores fazem ginástica laboral todos os dias. Na maioria, o empresário ou o encarregado do setor faz ginástica junto com o colaborador. E isso é muito importante. E não podemos esquecer que a manutenção da conscientização dos funcionários continua, o que é de extrema importância.
JdeB - Qual é a frequência ideal?
Andréia – O ideal é a prática regular da ginástica laboral (todos os dias) tendo a opção de três ou duas vezes na semana também, mas observo que se torna menos atraente por parte dos funcionários. Nós, na maioria das vezes, realizamos o atendimento das três maneiras, mas afirmamos que com a prática regular os objetivos são melhor alcançados, sendo o trabalho realizado com mais qualidade e entusiasmo, com retorno positivo por parte dos funcionários.
JdeB - E o tempo?
Andréia - De 10 a 15 minutos. Não mais que isso, em virtude das metas das empresas e tempo restrito de produção e também porque o foco da ginástica não é a performance física e sim contribuir no bem-estar físico-psíquico do funcionário.
JdeB - Os colaboradores participam bem?
Vanessa - Hoje podemos dizer que 95% das pessoas fazem ginástica laboral. Mas a adesão está sendo melhor do que anos anteriores. A empresa realmente apoia e motiva, pois a ginástica não é obrigatória pela lei trabalhista. Mas é uma ferramenta que a empresa oferece. E nós, profissionais, trabalhamos pela adesão espontânea, pelo fazer bem e não pela obrigação.
JdeB - Como é a implantação do programa nas empresas?
Vanessa - Quando implantamos a ginástica laboral nas empresas, começamos sempre com uma palestra pra conscientização. Explicamos como vai ser todos os dias, quem vai atender; para que haja uma boa participação dos funcionários. Também realizamos pesquisa de sintomatologia, pesquisa de satisfação e de motivação. Os resultados, tabulamos e entregamos aos empresários para o seu acompanhamento.
JdeB - E quais os riscos da falta de um profissional?
Andréia - O principal risco é a execução dos exercícios errados e inadequados à função, podendo acarretar danos à saúde.
Vanessa - Na hora de preparar os exercícios, o profissional tem a habilitação de selecionar o exercício certo para a função certa. Como abordar e trabalhar os colaboradores daquela X empresa. Por exemplo, na fundição é um tipo de exercício, na pintura outro, no administrativo, no abatedouro também. Focamos conforme a necessidade da empresa.
Andréia - E além da ginástica laboral, também trabalhamos em algumas empresas com a blitz postural ou o processo ergoativo, que é um processo de melhoria continua da ergonomia trabalhado juntamente com a ginástica laboral, que possui o objetivo de orientação ao funcionário e à empresa para os riscos do posto de trabalho e suas diversas posturas adotadas durante o trabalho. Melhorias simples que podemos corrigir, como orientação da regulagem da cadeira, por exemplo.


