
Igrejas, carros, barcos, aviões e moinhos em tamanho reduzido. Esta é a terapia de Márcio Roque Ronsani, que trabalha como vendedor e, nas horas vagas, dedica-se ao artesanato com palitos de fósforo e de picolé. “Comecei há 15 anos, como necessidade de ocupar a mente, para me livrar do vício, mas não adiantou, tive que internar. Dia 5 de setembro completou 13 anos que estou liberto do vício”, comemora.

A opção pelos palitos surgiu da lembrança de quando era pequeno e viu uma cruz feita com este material. “Mais um momento da presença de Deus em minha vida”, afirma.
Márcio aprendeu sozinho, nunca fez curso. Começou fazendo quadros de palitos e chegou a produzir um com três mil palitos em homenagem aos 50 anos de Francisco Beltrão que foi doado para Secretaria de Cultura. O artesão sabe especificar a quantidade de palitos porque guarda as caixas e, no final, soma todas.

Torre da Concatedral que tem mais de dois metros.
Para ter uma ideia da proporção, ele tem 1,82 m de altura.
Extremamente detalhista, o artista busca a perfeição dos seus trabalhos. “Para cada obra eu crio uma escala métrica própria. Primeiro imagino o tamanho que ela vai ficar e penso na proporção.”
Ele faz a base de papelão e depois trabalha com os palitos, sendo que os de picolé são usados para a cobertura. “Cada obra faço de uma forma, por ordem de dificuldade.”
A igreja da Seção Jacaré foi a primeira referente ao município e foi desenvolvida a partir de um pedido de Tânia Penso Ghedin, diretora de Cultura na época. Márcio reproduziu a partir de fotos que ele mesmo fez, assim como a maioria de suas maquetes, exceto aquelas construções que já não existem mais, então ele recorre a fotos históricas.
O artesão também fez a Capela São Cristóvão, Estádio Anilado, Museu do Colonizador, Biblioteca Pública, Concatedral Nossa Senhora da Glória e a Torre da Concatedral, que tem mais de dois metros de altura. São vários meses para concluir um trabalho, pois a atividade é seu hobby. “Não aceito pedidos porque quero fazer no meu tempo, sem compromisso de data.”

Miniaturas que impressionam

a partir de fotos que ele mesmo fez,
assim como a maioria de suas maquetes.
Márcio também desenvolve obras que não existem mais em tamanho real, como a primeira ponte de Beltrão, que ligava a Cango ao centro. Era coberta e passava apenas um carro por vez.
Outros exemplos são maquetes do Colégio Nossa Senhora da Glória e a primeira Prefeitura, que era de madeira e pegou fogo.
Igreja de Nova Concórdia
Márcio nasceu na comunidade de Nova Concórdia e foi batizado na Igreja Nossa Senhora de Fátima. Dia 4, domingo passado, durante a 9ª Festa Gauchesca, ele expôs a maquete da primeira igreja de Nova Concórdia reproduzida a partir de três fotos. Segundo o artesão, ela foi construída em 1954 e desmanchada em 1976.
Sua próxima obra será a primeira igreja de Francisco Beltrão, que já está em andamento.

Moinho d’água
A infância está bastante presente em sua memória. Um exemplo é o moinho, que fez apenas com recordações. “Tinha três moinhos em Nova Concórdia. Fiz por lembrança da época (de criança), só por curiosidade. É uma das obras que mais atrai o interesse das pessoas, porque ele funciona.” Veja as obras de Márcio em http://artesanatosmarcio.blogspot.com.br/







