Construções verticais tomam os bairros e incomodam moradores: sem privacidade
Publicado em: 05/07/2011 - 15:41 | Atualizado em: 21/05/2012 - 13:07
Publicado em: 05/07/2011 - 15:41 | Atualizado em: 21/05/2012 - 13:07
O Caderno Oportunidades e Negócios — Construção — entrevistou na semana passada o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Francisco Beltrão (Ippub), arquiteto do Dalcy Salvati. Na pauta da conversa, a falta de áreas residenciais exclusivas no município. Depois que a notícia foi publicada no Jornal de Beltrão, um grupo de moradores do bairro Alvorada resolveu reivindicar soluções para essa questão e expor o dilema que enfrenta. O bate-papo foi na residência do médico psiquiatra Cícero Bezerra de Lima, na Rua Minas Gerais. Participaram da conversa o empresário Névio Úrio, dr. Antônio Cortez e o vereador Jocemar Madruga (PT).
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| Cícero Bezerra de Lima |
Na opinião de Cícero, não são apenas os moradores do bairro Alvorada que se sentem prejudicados, “muitos, de vários bairros do município, também devem estar enfrentando esse problema”. Segundo ele, as autoridades foram procuradas para conversar sobre o assunto, mas a questão está piorando e nenhuma providência foi tomada. “Não existe nenhuma zona residencial em Beltrão, mas sabemos que esse princípio é fundamental para a qualidade de vida.” Logo, a casa construída pelo médico há pouco mais de um ano será rodeada por três edifícios.
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| Jocemar Madruga |
De acordo com o empresário Névio Urio, um bom exemplo é a cidade de Curitiba. Na década de 70, o arquiteto Jayme Lerner, dentro do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba, o Ipuc, criou o Plano Diretor que definiu áreas residenciais na capital. Para ele, é evidente que em Beltrão falta o plano para decidir onde é centro comercial e residencial. “Na Avenida União da Vitória seria o lugar ideal para a construção de prédios, na medida em que se afasta das áreas centrais, as construções começam a ser residenciais”, observou.
Ao lado da casa de Antônio Cortez, também no bairro Alvorada, havia o projeto da construção de um edifício — não saiu do papel. Conforme ele, os investimentos em residências devem ser valorizados.
“Se você aqui em Beltrão tem uma boa casa, essa casa não tem valor. Eles dizem que o que vale é o terreno, e até isso precisa ser reavaliado. Estamos perdendo a privacidade e o valor de nossas construções”, ressalta Cícero.
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| Antônio Cortez |
Com o número de construções verticais aumentando, as áreas verdes também diminuem. É um problema, segundo Cícero. “Como será feito o escoamento da água da chuva em edifícios? Numa cidade como a nossa, que tem inundações, é necessário, é preciso avaliar essa questão.”
Discussão do Plano Diretor
A discussão sobre a necessidade de áreas exclusivamente residenciais em Francisco Beltrão é bastante pertinente, salientou o vereador Jocemar Madruga. Segundo ele, quando o Plano Diretor foi elaborado, não se ateve a essa questão: manter a qualidade de vida das famílias que vivem em residências pelos bairros da cidade. Além da privacidade, o vereador enfatizou a importância da luminosidade, garantido pela penetração do sol nos lotes. “Ainda dá tempo de se fazer isso, porque não podemos pensar numa cidade como Beltrão sem projetos que privilegiem os terrenos, paisagismo e a privacidade dos moradores. O crescimento habitacional no aspecto horizontal é importante.”
Para o empresário Névio Urio, numa cidade como Francisco Beltrão, onde caberiam 600 mil habitantes, não se justifica a construção de tantos edifícios nos bairros. “Isso prejudica o meio ambiente, o trânsito e a qualidade de vida da população.” Bairros residenciais não podem perder essa particularidade. Segundo Cícero, o município ainda tem muitas áreas centrais ociosas que podem receber as construções verticais. “Por que foi suspensa a abertura de novos loteamentos em Beltrão por 90 dias? Por que então não podemos suspender a construção de prédios e conversar mais sobre o assunto? A população precisa ser consultada.”
Proporcionar o debate é relevante, comenta o vereador. Mas ele lembra que falta colocar em prática o Estatuto das Cidades. “O poder público erra menos quando faz consultas populares.”
Na opinião de Antônio, é preciso se pensar na construção daqui a 100 anos. “O planejamento é fundamental, porque fica cada vez mais difícil manter as áreas de convívio”, salientou.