Consideradas o arremate final das edificações, as cores dão vida aos projetos arquitetônicos
Publicado em: 17/07/2012 - 10:06 | Atualizado em: 24/02/2013 - 16:34
![]() |
| O projeto “Tudo de cor pra você”, desenvolvido pela Coral, deu cara nova ao Pelourinho, em Salvador. |
Uma obra só está completa depois que recebe cor. À primeira vista pode parecer exagero, mas quando se trata de arquitetura, a escolha das cores é fundamental para dar vida ou ofuscar as edificações.
Para esclarecer algumas dúvidas sobre a cor nas construções, o Jornal de Beltrão entrevistou os arquitetos Ertal de Vasconcelos Oliveira e Ertal de Vasconcelos Oliveira Júnior — o pai, um profissional de renome na região; o filho, acadêmico de Arquitetura, com o vigor da juventude. Ambos afirmam: “A utilização das cores é o arremate final e, por vezes, o diferencial para uma edificação ou espaço se tornar vivo”.
*
JdeB - A partir de que ponto da obra se definem as cores? Por quê?
Arquitetos - Não existe necessariamente uma regra. Nos estudos preliminares, costuma-se propor variações, pois é natural pensar o projeto como um todo e a cor é elemento compositivo vital ao bom projeto. Hoje é possível, através de utilização de programas gráficos, desenvolver estudos de perspectivas internas e externas e aproximar melhor à realidade. Facilita a visualização do resultado final da edificação ou do espaço interno. É comum depois da obra pronta, em fase de acabamento, desenvolver um teste prévio para análise, para ver se realmente a cor pré-definida se comporta como o esperado. O bom senso deve prevalecer sempre. Atingir o objetivo esperado pelo cliente buscando o resultado esperado é fundamental.
JdeB - Muitos dizem que a cor dá vida à obra, o que é uma grande verdade. Por que a escolha da cor é tão importante?
Arquitetos - Existem fatores diversos que confirmam esta afirmação. A utilização das cores é o arremate final e, por vezes, o diferencial para uma edificação ou espaço se tornar vivo, mas é inquestionável entender que o uso destes é que dirá se a composição arquitetônica deu o resultado esperado. Existem condicionantes que irão compor a plástica da obra proposta dentro de suas necessidades. Cada ambiente propõe uma gama infinita de escolhas. As novas opções de cores e texturas do mercado atual nos proporcionam outras sensações além da visual, existem tintas com cheiro, com texturas e muitas possibilidades. Cada ambiente pode aceitar uma diversidade de cores ideais. Como profissionais, devemos respeitar o bom senso ao escolher as cores e texturas que utilizaremos, pois podemos comprometer um bom projeto utilizando uma cor errada. Mas é certo que as cores contribuem e muito no resultado final da obra.
JdeB - Cores escuras e cores claras: há regras de onde usá-las?
Arquitetos - Existem alguns direcionamentos. Não exatamente regras, mas tudo depende do objetivo principal. Exemplificando: para residências com pouca luminosidade, as cores claras são as mais indicadas, servindo para otimizar a iluminação natural ou artificial do espaço, dando mais vida aos ambientes. Cores escuras são mais usadas para detalhes e espaços que necessitem de pouca luminosidade, como adegas, casas de show, bares. A cor é um elemento compositivo que nos favorece o projeto. Porém, devemos ter cuidado ao propor algo inusitado, ser atento a todas as variações e condicionantes de tal projeto, ter estes princípios é algo indispensável ao profissional da arquitetura.
![]() |
| Ertal pai e Ertal filho falam sobre as cores na arquitetura e garantem: ela faz toda diferença. |
JdeB - E as texturas? Estão mesmo perdendo espaço para as paredes lisas?
Arquitetos - Acredito que não estamos vivendo uma troca, mas uma complementação. Existem tendências e necessidades. As texturas não competem com as paredes lisas nos aspectos de composição, pois também possuem coloração. Apenas é importante ressaltar que os arranjos físicos das texturas hoje estão em alta, trazem outros aspectos que por muitas vezes o cliente nem imagina. Essas texturas são indicadas às paredes que necessitam de uma proteção maior de permeabilidade, paredes que tenham pouca incidência solar ou paredes com reboco mal colocado. Não que não possam apenas ter o caráter ornamental, mas a sua composição possibilita que seja utilizada como algo além de elemento estético. Já as paredes lisas, essas são tradicionais na construção civil. Algo que não veremos tão cedo ser substituído, pois é uma plataforma para a utilização de inúmeros subterfúgios estéticos e estruturantes de uma edificação. É importante lembrar que as cores não precisam ser apenas relacionadas à pintura. Existem papéis de parede, cerâmicas, madeira e pedra. Todos possuem pigmentação e, assim, podem ser elementos compositivos para espaços nos aspectos plásticos de acabamento de um espaço.
JdeB - De quanto em quanto tempo é preciso pintar a parte externa da casa? E as partes internas?
Arquitetos - Existem fatores que nos orientam sobre isso, tudo depende do tamanho da obra a ser pintada. Refiro-me aos aspectos físicos, às necessidades e às técnicas a serem empregadas. Não se pode quantificar exatamente o tempo, existe o fator clima que é crucial ao bom desempenho da pintura. Logo, sua longevidade varia bastante.
JdeB - Para o quarto das crianças, os fabricantes já inventaram tintas que imitam “quadro negro” e servem como painel de recados. É uma opção para divertir a casa e dar personalidade aos ambientes?
Arquitetos - A flexibilidade das novas tecnologias do mercado nos possibilita inúmeras variações. Sim, as tintas que permitem utilização de giz ou canetas não permanentes estão possibilitando uma ludicidade maior na arquitetura de interiores. Não apenas nos quartos infantis, hoje as cozinhas “gourmet”, em algumas propostas contemporâneas, se apropriaram dessa tecnologia.




