Projetos da Fundação Rotária já salvaram muitas vidas
Publicado em: 24/06/2012 - 11:26 | Atualizado em: 21/02/2013 - 01:44
JdeB - O que mais marcou nesse período que teve a necessidade, ou a oportunidade, de visitar os 94 clubes?
Edgar - Eu diria que foi uma oportunidade. A maior recompensa que a gente tem é essa oportunidade de conhecer muitas coisas que a gente nem imagina, mesmo dentro do próprio Rotary. Você vê que na visita a essas cidades, tanto cidades maiores como cidades menores, com clube pequeno, com clube grande, mas muito focados, trabalhando, fazendo as ações na comunidade. Às vezes um clube pequeno tem um projeto muito bom junto com a comunidade. E nós vimos projetos fantásticos. Um que eu gosto de citar, e até nós colocamos aqui, na cidade de Toledo um clube que tem um banco de leite humano, que atende toda uma microrregião. Os equipamentos, a estrutura, tudo bancado pelos rotarianos, pela Fundação Rotária, e está funcionando há muito tempo. E aí as pessoas contam histórias do bem que isso fez para a comunidade. Às vezes, pega comunidades pobres, pessoas que tinham até problemas de amamentação ou de alimentar recém-nascidos, e isso salvou a vida. Isso não tem dinheiro que pague. E esse projeto de Toledo seria um exemplo, porque nós vemos clubes, que nem Foz do Iguaçu, que tem cinco clubes, mas muito atuantes, que tenha uma ação na comunidade mais pobre, mas fantásticas. Quer dizer, tem trabalhos voluntários que fazem a diferença para as pessoas. Você vê cidades pequenas como Catantuvas, por exemplo, que tem 12 associados. Eles tiveram uma repercussão grande há alguns anos, no início da penitenciária estadual, fizeram um trabalho muito bom. E, hoje, esses 12 associados que estavam lá têm um projeto que é o clube que faz, mas que eles, todos os anos, estão lá em parceria com o prefeito, vice-prefeito, de um partido ou de outro. Mas todos os rotarianos estão sempre trabalhando junto com a comunidade, junto com o poder público. Essas questões que a gente tem que admirar, essa união nós vimos. Às vezes, o próprio Rotary sofre influências muito grandes da política, em épocas como agora, o clube praticamente racha. Já teve casos — graças a Deus, no nosso ano Rotário não aconteceu — de acabar o clube por questões políticas. E a gente vê em cidades pequenas, mas que têm a consciência de que o Rotary não tem nada a ver, que você pode participar de um mesmo grupo com um objetivo, ser de partidos diferentes e trabalhar sem problema nenhum. Quer dizer, é essa consciência política que tem que ser trabalhada, são esses exemplos que a gente vai guardando. O que comove mesmo é a quantidade de pessoas, nós somos 2.680 rotarianos só aqui no Distrito 4640. E você vê essas pessoas nos clubes envolvidas de uma forma ou de outra com o trabalho voluntário. E a multiplicação desses trabalhos, imagine a diferença que faz em todo o nosso Estado, aqui no Brasil e no mundo afora; no mundo nós somos mais de 1.200.000 rotarianos. São essas questões que marcam e deixam a gente bastante satisfeito.
JdeB - E o lema de seu ano rotário — "Conheça a si mesmo, para envolver a humanidade" — foi seguido?
Edgar - Nós começamos a trabalhar desde o início, porque nós participamos de treinamento aqui no Brasil, depois nós tivemos um treinamento de uma semana em San Diego, nos EUA, onde todos os governadores do mundo inteiro (532) se reúnem. Eu sempre digo: é ali que você vê a grandiosidade do Rotary, você vê pessoas de todas as cores de pele, costumes diferentes, idiomas, mas todo mundo com um objetivo único, que é a prestação de serviços através do Rotary. A gente faz o treinamento e passa para os clubes. O objetivo do lema "Conheça a si mesmo, pra envolver a humanidade", nós temos que conhecer a nós mesmos, primeiro como pessoa e na sequência conhecer melhor a organização, se você não conhece alguma coisa, você não gosta. Se conhecer, conhecer melhor o Rotary, daí sim nós vamos ter muito mais força pra, como diz o lema, envolver a humanidade, trabalhar pela humanidade. Cada clube trabalha pela humanidade de uma forma muito focada na sua comunidade, busca levantar as necessidades, mas, principalmente, busca soluções pra essas necessidades. Em cada reunião com os clubes nós passávamos isso, e nos treinamentos que nós fazemos com todos os presidentes, com todos os diretores de conselhos dos clubes, você vai passando isso. Nós precisamos nos organizar nessa questão, porque as instruções transcorrem de uma hierarquia, mas muito tranquilo, porque como são todas pessoas voluntárias, não existe aquela obrigatoriedade de nada. Mas eu penso que nós, mesmo como voluntários, a nossa responsabilidade é muito maior do que se fôssemos pagos pra fazer determinado serviço. O voluntariado tem isso, porque você se sente bastante responsável pelas coisas.
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| Edgar e a esposa Olga, que o acompanha desde o Rotaract. |
JdeB - E qual é a visão que predomina no rotariano hoje, sobre o mundo, é positiva ou negativa?
Edgar - Eu digo que o rotariano, por essência, é um otimista. Eu levo isso por mim, porque a gente sempre procura ver a parte boa das coisas. Se você começar a falar muito da parte ruim, começa a potencializar a parte ruim, e eu acho que nós temos que fazer o contrário, nós temos que potencializar a parte boa. Isso a visão geral que a grande maioria dos rotarianos têm. Um dos grandes objetivos do Rotary, é a paz mundial. O Rotary tem vários programas, de bolsas de estudos, para formação específica, para resolução de conflitos e tal, através da Fundação Rotária. E tem o programa de intercâmbio de jovens, em que se troca jovens de um país para o outro, mas o objetivo final do Rotary, além de o jovem conhecer um idioma e uma cultura diferente, é que ele jovem constate que em qualquer parte do mundo que ele for o ser humano é igual. A cor da pele pode ser diferente, os costumes são um pouco diferentes, mas o ser humano na sua essência é exatamente o que ele quer. O Rotary quer que esses jovens conheçam isso, porque eles, com o tempo, vão estar decidindo aí nas prefeituras, nos governos de Estado, e de repente até um presidente de um país. Um jovem que veio lá, por exemplo, da região do Oriente Médio, que foi uma região de conflito por muito tempo, ou o nosso jovem que vai daqui, ele vê que as pessoas de lá também têm problemas, mas são pessoas iguais. É essa visão que o Rotary quer passar, e essa visão de paz mundial. E é nas demais ações que o Rotary faz visando a paz. O próximo lema no ano rotário, que é o Tanaka, o japonês, o presidente, é "A paz através de servir". Vai ser um ano focado muito na paz novamente. O Rotary investiu muitos recursos, também recebeu muito, o próprio Bil Gates doou 300 milhões de dólares para a Fundação Rotária, e ele doou por quê? Porque ele pesquisou entre mais de 60 organizações não-governamentais, que fazem esse trabalho, e escolheu a Fundação Rotária porque ele viu que os recursos são muito bem aplicados, são muito bem administrados, com um custo muito pequeno. Cada dólar que entra na Fundação Rotária no mínimo saí mais um dólar. Então, é muito bem investido o dinheiro. E a grande meta que o Rotary está buscando é a erradicação da poliomielite, que está praticamente no final. A Índia estava entre os quatro que faltavam a erradicação, e já faz um ano que não tem nenhum caso detectado de polio, está quase sendo considerada erradicada. Mas faltam mais três países, que é a Nigéria, o Afeganistão, e mais um país perto do Afeganistão, que são países de difícil acesso, que têm guerras civis, mas o Rotary devagarinho está conseguindo varrer essa doença do mundo. O Rotary tem investindo muito alto nessa questão, e a previsão é que em pouco tempo a poliomielite seja erradicada. Aqui no Brasil, nós, felizmente, desde 85 somos considerados livres da poliomielite, mas é claro que tem o trabalho de manutenção. Os rotarianos ainda hoje participam das vacinas e os trabalhos maiores estão sendo feitos nesses países aí de fora, que precisam erradicar a doença.
JdeB - Então, este ano passou rápido?
Edgar - Ah, passou muito rápido. Eu acho que foi esse desenvolvimento, essas correrias de visitas. No início você fica apreensivo, mas já estamos entregando aí o ano, e passou muito rápido. E conversando com os governadores que já passaram por essa função, o pessoal sempre dizia que tem que cuidar com a "síndrome do ex", porque vem num ritmo muito forte de correria, então não pode pisar no freio assim, de uma hora para a outra. É até uma preparação que a gente tem que ter, tem que ir desacelerando até frear de vez (risos). Porque, na verdade, depois que você participa, você sempre continua. E com certeza nós vamos continuar participando do Rotary, claro que não com essa intensidade que foi agora com a governadoria. Muitas vezes a gente ficava a semana inteira fora, com visitas toda semana, umas semanas chegamos a fazer dez visitas, ou seja, mais de duas visitas por dia. E fora os eventos todos que tem de participação. Foi um ano bem corrido, mas estamos satisfeitos, com aprendizado muito grande, a gente aprende muitas coisas, a amizade que você faz, as pessoas que você conhece, porque conhece pessoas de todos os municípios. Em muitos municípios, na grande maioria, você é recebido pelo prefeito e ele emite um decreto de hóspede oficial do município.
JdeB - É, até com banda de música?
Edgar - É (risos), nós tivemos ali em Candói, fomos recepcionados com uma banda de música. De dentro do carro, vimos a banda lá, mas nem imaginava que era... Estávamos na frente da prefeitura, onde estavam esperando o pessoal do Rotary, e a banda de música começou a tocar (risos). Então, foi uma situação que marcou bastante. São casos pitorescos, mas que com certeza marcam a vida da gente, são coisas que você não vai esquecer nunca mais. O balanço que nós fizemos aí é altamente positivo, com todo o aprendizado que a gente traz. São muitas pessoas envolvidas, tentando ajudar pessoas que na maioria das vezes você nem conhece, mas tá lá fazendo alguma coisa pelos menos favorecidos. Então, é essa lição que a gente leva depois de um ano de governadoria.
Beltrão é destaque nacional e internacional
JdeB - Qual é a sua visão de Beltrão, como está hoje, e como vê o futuro?
Edgar - Bom, no meio rotário nem se fala, é um destaque nacional e fora do Brasil também. Então, quando se fala do Rotary de Francisco Beltrão, todo mundo já sabe o que é, é muito conhecido o nosso município. E a cidade em si cresceu muito, nós sentimos, com os anos aí, um desenvolvimento bastante grande. Claro que isso também traz algumas lacunas, algumas coisas que têm que ser trabalhadas, mas isso eu acho que os nossos governantes têm essa responsabilidade, né. Nós vimos Beltrão praticamente nascer, e ela, depois de um certo tamanho, nos últimos 10 ou 15 anos, ganhou um corpo muito maior, desenvolveu muito as universidades, eu diria que foi um ponto chave. E eu acho, ainda, que a tendência é não parar mais, porque o porte que tá Francisco Beltrão hoje, ela vai praticamente como um rolo compressor. Então, os administradores municipais precisam saber conduzir isso, pra não deixar que ela vá para um lado. Essa questão de infraestrutura tem que se trabalhar muito, trabalhar muito na educação básica,que é fundamental; eu acho que se você tiver isso no município, isso vai se irradiando depois pro Estado e pro país. Se você tiver um município com uma educação muito focada, muito forte, o restante tudo é muito mais fácil pra ser resolvido. Então, eu acho que a grande preocupação que os governantes têm que ter é com a educação básica, porque ela é fundamental para que o restante aconteça também. Eu sempre falo pro pessoal que eu acho que Beltrão tá num porte muito bom pra se viver, tem praticamente tudo o que a gente precisa e tem perspectivas aí de crescer ainda mais. É claro que tem ainda questões do crescimento muito rápido que não são fáceis de acompanhar, como a questão de infraestrutura da cidade, de coisas básicas, de saneamento, água. Isso é uma preocupação, mas eu vejo que aqui no nosso município tá muito bem administrado. Hoje eu não trocaria Francisco Beltrão por nenhuma cidade. Os próprios filhos que estão estudando fora têm oportunidades de trabalho aqui muito boas, né, oportunidade de crescimento. A gente vê que nós temos uma falta de mão de obra muito grande em praticamente todos os setores; e isso se deve a esse crescimento rápido que aconteceu, e isso não é só em Beltrão, é na região toda. Então, isso é um reflexo até do Brasil, que teve um crescimento rápido em pouco tempo, mas em Francisco Beltrão, a gente como mora aqui desde criança, até chega em um ponto que começa a discutir "será que é bom crescer muito?. Nós não podemos só pensar em crescer e crescer, meio desordenado, e não pensar na qualidade de vida das pessoas, eu acho que isso é muito importante. Às vezes é uma discussão, quando você junta algumas pessoas, e começa a pensar “será que 100 mil habitantes seria o ponto ideal?” Então, pra mim o tamanho da cidade assim, um pouquinho, maior já estaria bom.
JdeB - Temos aí um desafio: no final de julho o vestibular para o curso de Medicina, quando vamos receber milhares de candidatos. Como recepcionar esse pessoal, porque a área da hotelaria não tem condições de acolher a todos. E fala-se, inclusive, da ajuda que os rotarianos poderão dar. Será que vamos poder contar com isso?
Edgar - Ah, sem dúvidas. Agora, há poucos dias, nós tivemos a Conferência do Rotary com um total de 1.518 participantes. Uma equipe ficou encarregada justamente nessa questão de acomodação. Então, como os hotéis também não tinham capacidade, porque apesar do grande número que nós temos de rotarianos em Beltrão, veio muita gente de fora, é claro que nem perto da quantidade que vai ser no vestibular, mas o Rotary se organizou e também fez uma lista, um banco de hospedagem. Vários companheiros se dispuseram a hospedar duas, três, quatro pessoas nas suas casas. Então, esse banco está aí à disposição, nós até conversamos e vamos disponibilizar isso para os jovens. Pode ser aproveitado para esse evento, que é realmente uma coisa marcante hospedar eu acho que são quatro ou cinco mil inscritos, então é muita gente, né. Nós, beltronenses, a população em geral, não custa nada de repente receber na sua casa um jovem aí por dois ou três dias. Você se coloca no lugar e pensa que um filho teu poderia estar na mesma situação, né. Quantos jovens não podem ser ajudados aí nessa questão? Pra cidade só o próprio curso de Medicina já é um marco, é mais um impulso grande pra que muitas coisas aconteçam, porque nós, como beltronenses e rotarianos, temos o dever de participar também dessa questão e de outras que dizem respeito ao bem-estar dos cidadãos, da comunidade. Então, o Rotary com o poder público sempre teve uma proximidade muito grande, são muitas as ações feitas em parceria. E isso nós vimos, onde o poder público e o Rotary trabalham juntos, que tem uma diferença grande. O município tem muito a ganhar com isso.



