Pirataria na rede: jovens discutem projeto americano
Publicado em: 26/01/2012 - 09:14 | Atualizado em: 22/02/2012 - 23:52
Publicado em: 26/01/2012 - 09:14 | Atualizado em: 22/02/2012 - 23:52
O projeto de lei proposto pelo Congresso norte-americano causou uma reviravolta no mundo on-line. Foi só o Megaupload sair do ar para que gigantes como o Google, por exemplo, ameaçassem um boicote. Foi só um dia, mas muitos sites foram derrubados. E aí, já imaginou ficar sem o senhor Google só por alguns minutos?
Virar um louco por internet não é difícil. Ainda mais quando a tecnologia nos apresenta de bandeja um universo bem amplo: música, cinema, informação, literatura. O que você deseja pode ser seu com um simples clique no botão download. Mas essa facilidade da vida moderna está sendo colocada em risco.
A história é a seguinte: um projeto de lei que circula no Congresso dos Estados Unidos pode culminar na maior paralisação on-line que o mundo já viu. Se você não gosta de sopa, como a personagem dos quadrinhos Mafalda, vai entender melhor o caso. É que a proposta, batizada de S.O.P.A. (Stop Online Piracy Act — lei contra pirataria na internet), prevê que os serviços on-line sejam responsabilizados pelo conteúdo postado pelos usuários em suas plataformas sob pena de bloqueio do site ou mesmo de prisão do proprietário.
Explicando de maneira mais prática, fica assim: a lei obrigaria o Google, por exemplo, a retirar do ar o resultado de buscas de todo e qualquer endereço que mencionar ou compartilhar um material protegido por direito autoral — isso inclui músicas, vídeos, textos, códigos, fotos, ilustrações etc.
Visto como tentativa de censura logo que o projeto de lei entrou em pauta, gigantes da rede, como Google, Facebook, Twitter e Amazon, ameaçaram paralisar suas operações em protesto.
Markham Erickson, diretor-executivo da NetCoalition — associação americana que reúne empresas contrárias ao S.O.P.A. —, disse em entrevista ao site Fox News que a intenção é realmente paralisar os serviços on-line caso o projeto seja aprovado. Google, PayPal, Yahoo, Twitter, Facebook, Wikipedia e Amazon são algumas das instituições associadas publicamente ao NetCoalition.
Mas há quem defenda o projeto, a exemplo das empresas 3M, Adidas, Burberry, CVC, Ford, Pfizer, Philip Morris e News Corp. Segundo informações, elas acreditam que o projeto irá coibir sites estrangeiros que comercializam medicamentos falsificados e cópias roubadas de filmes de Hollywood.
![]() |
Entenda o caso - Lamar Smith, republicano do Texas, é autor do S.O.P.A. Seu projeto de lei foi duramente criticado pela Electronic Frontier Foundation — organização internacional sem fins lucrativos que tem por objetivo proteger a liberdade de expressão na internet —, que divulgou uma carta aberta, assinada por 83 engenheiros, contra as normas sugeridas por Smith.
Em 15 de novembro, Google, Facebook, Twitter, Zynga, eBay, Mozilla, Yahoo, AOL e LinkedIn enviaram uma carta a Washington alertando os parlamentares sobre os perigos do projeto de lei. A polêmica acerca do S.O.P.A. fez com que algumas empresas mudassem de lado e passassem a criticar as diretrizes do projeto. O Go Daddy — maior companhia de registro de domínio e hospedagem do mundo — chegou a defender a lei, mas voltou atrás após 40 mil sites migrarem de sua plataforma para outros provedores como forma de protesto.
Os protestos de hackers contra o fechamento do Megaupload, um dos maiores sites de compartilhamento de dados do mundo, também teriam atingido sites brasileiros no sábado, dia 21, dois dias depois de o FBI tirar o serviço do ar e prender o fundador da empresa, acusado de pirataria digital.
O grupo Anonymous, o mesmo que na última quinta, 19, disse ter derrubado os sites do FBI, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, da Universal Music, da Associação de Filmes dos EUA e da Associação da Indústria Fonográfica do país, postou mensagem no Twitter sábado, 21, relatando ataques a sites brasileiros com domínio ‘df.gov.br’ — do governo do Distrito Federal. Os posts apontam para perfis brasileiros, que teriam realizado o ataque, e mencionavam o Megaupload.
Quarta-feira, 19 de janeiro, a enciclopédia on-line Wikipedia retirou do ar suas páginas em inglês por 24 horas e o gigante da internet Google ocultou seu logo com uma tarja preta. Até o site da cantora Paula Fernandes, o maior da Universal no Brasil, ficou fora do ar por um dia.
Diz aí, o que você pensa sobre isto?
“Liberdade é o que torna a internet algo grande. Por falar nisso, estou baixando vários filmes e músicas.”
Rafael Marques
“Acredito que nem a favor e nem totalmente contra, pois os direitos autorais devem ser valorizados e remunerados! mas o bloqueio geral acho um erro, mas seria possível estudar formas para valorizar os direitos autorais de gravadoras, produtoras e outras.” Bruno Fiori
“Concordo com o Bruno Fiori, acho que não se deve ser radical; músicos e produtores de filmes têm despesas e isso deve ser levando em conta, deve haver uma forma de contornar essa situação, o que não pode é querer cortar tudo de uma vez, isso causa revolta e desconforto.”
Ieda Cordova Bortolini
“Ainda prefiro a internet.”
Fernando Misturini
“No entanto, da mesma forma que a internet "prejudica" alguns artistas (em geral) por desvincular seus direitos autorais, ela serve como a principal forma de divulgar esse conteúdo. Ou seja, essa é uma questão muito unipartidária onde o que prevalece é o lucro e não a liberdade condicional, que, por sinal, é direito de todos.”
João Paulo Ruaro
“Pirataria pra mim é o que faziam nos mares do Caribe! (esses rótulos são complicados)
Mas... não precisamos de nada que venha dos americanos. Gosto da ideia do SOPA, pois acredito que depois de um momento de choque o mundo se articulará pra criar e dividir conhecimento e cultura sem tanta dependência norte-americana.”
Daniel Vitor Rambo
“Já vivemos muito tempo sem a pirataria. Antigamente se alugava filmes ou aguardava as séries passarem na televisão. Hoje estamos acostumados a alcançar tudo de graça. Acredito que não se trata de vivermos sem Google ou Facebook, mas passar a pagar um valor pelo trabalho do outro, e considero isto justo. Acontece que o que torna inviável é a quantidade de impostos e taxas que pagamos no Brasil e torna impossível o acesso a todas as formas diversas de cultura. Penso que aquele que concorda com a pirataria de forma deliberada não pode reclamar das práticas ilícitas do governo, por exemplo.”
Érico Peres Oliveira
“Sem google tô burro hahahah, sem google nãooooooooooooooo”, disse Jucelau Guedes Açaí. Thaís Priscila Medeiros Koba acredita que sem Google seria mais difícil, principalmente por ser uma ferramenta de busca muito utilizada no trabalho. Já Fábio Ricardo Córdova diz que a sociedade não pode regredir. “Aprendemos a viver com isso.” Para o jovem, a impressão que se tem é que estamos voltando no tempo. “Eu pelo menos fico sabendo de muita coisa por meio de redes sociais, e não me refiro somente a Luíza”, brinca.
O jovem ressalta que prefere baixar a pagar o valor que cobram. “Sou incorreto e pobre, ao mesmo tempo, porque se for pagar toda vez que precisar de algo que encontro de graça na internet, então nunca conseguirei ter. É triste, mas é fato.”
Rodrigo Manfroi admite: não sabe se conseguiria passar um dia sem Google. Mas garante: “Sem face ou twitter meu dia provavelmente seria mais produtivo”. Sobre a pirataria, Fernando Luiz Appio é objetivo: “Quem alimenta são os próprios governos, com essas taxas de impostos fora do comum”. De acordo com Fernando, primeiro oferecem tudo e somente depois, porque alguém está levando prejuízo, tiram as facilidades da população. “Qual será o motivo?”, alfineta o jovem brincando com as cifras (R$).
“Antigamente queimavam livros, hoje fecham sites”. É o que pensa a publicitária Marina Liston sobre a questão. Segundo ela, a liberdade da informação tem que ser direito de todos. “Tanto do acesso quanto ao compartilhamento. Não podemos regredir, censura já era.” Ficar sem Google deixaria Melissa Faust doente.
Fábio conclui a discussão dizendo que acabar com o compartilhamento de informações seria terrível. “Houve uma época que eu ficava sabendo das coisas pelo twitter. Não leio jornal impresso, somente o que circula em sites de notícias e telejornais.” E aí, como ficariam os milhares de internautas sem a liberdade na rede?
Baixando na NET não gasto nada (a não ser a mensalidade de um provedor rápido e eficaz). No entanto, o original tem suas vantagens: há quem não abra mão desse diferencial.
Comentários