O sonho do curso superior é possível
Apesar dos problemas, o ProUni possibilita que jovens de baixa renda tenham acesso à universidade
Publicado em: 17/02/2012 - 14:22 | Atualizado em: 17/05/2012 - 18:28
Publicado em: 17/02/2012 - 14:22 | Atualizado em: 17/05/2012 - 18:28
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Conseguir uma vaga na universidade é o sonho de milhares de jovens em todo o país. Para a maioria, a possibilidade de cursar o ensino superior será a única herança deixada pelos pais. A oportunidade pode ser comparada, sem exageros, a um prêmio da loteria esportiva: uma Mega-Sena. Que o digam as acadêmicas de Odontologia da Unisep, campus de Francisco Beltrão. Juliana André, 19 anos; e Hamanda dos Santos, 17, são bolsistas do ProUni (Programa Universidade para Todos), lançado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2005. O programa já beneficiou, desde a sua criação, mais de 600 mil estudantes de baixa renda do país.
Juliana sempre quis ser médica. Prestou vestibular por três anos em universidades estaduais e federais, mas não conseguiu — a concorrência era imensa. Então optou por Odontologia e só está matriculada hoje graças à vaga no ProUni. “Tenho bolsa de 50%, e estou muito feliz pela conquista”, afirma. A história da Hamanda é pouco diferente. Ela sempre quis ser dentista, desde os dez anos de idade. Nunca cogitou outro curso. Hoje, está no primeiro ano de Odontologia na Unisep com bolsa de 100%.
Estudar custo caro
As duas acadêmicas não teriam condições de bancar a faculdade particular sem essa força do governo. Vamos a um cálculo rápido. A mensalidade custa R$ 2.150. Em um ano isso dá R$ 25.800. Nos cinco anos do curso, até se formar, o estudante gastará em média R$ 130 mil — fora os livros e materiais. Nessa soma também não entram os gastos com alimentação, moradia e transporte — e aquelas festinhas eventuais, comuns até aos estudantes mais certinhos.
Sendo assim, ingressar numa universidade e arcar com mensalidades de cursos caros, como Medicina, Odontologia, Engenharia, Direito, entre outros, não é tarefa fácil. Ainda mais num país onde as famílias sobrevivem com salário mínimo de R$ 545. Educação custa dinheiro e o que grande parte desses jovens deseja é conquistar seu lugar ao sol. Depois de formados, têm a chance de garantir uma vida melhor.
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| Simone Medeiros Pereira, 23 anos. |
Enfim, advogada!
A história de Juliana e Hamanda já foi vivida por Simone Medeiros Pereira, 23 anos. Ela se formou em Direito pela Faculdade de Direito de Francisco Beltrão (Cesul) no ano passado. Para ser alguém na vida, como bem diz a expressão, começou a trabalhar cedo, com 11 anos. Com 15, já no final do ensino fundamental, foi contratada por uma empresa e ficou lá até terminar o ensino médio, no Colégio Estadual Mário de Andrade. “Estudava de manhã e trabalha à tarde. Durante a noite me dedicava aos estudos, sempre gostei de história, português e literatura, e era ótima em redação. Cursar Direito sempre foi um sonho de infância, mas eu sabia da grande concorrência pelo curso e também do preço em relação às mensalidades; fora os outros custos.”
Primeiro contato com o ProUni
No 2º ano do ensino médio, Simone ouviu falar do ProUni. Na época, não sentiu muita firmeza, já que todos diziam que era um programa do governo que não iria vingar. Em abril de 2005 fez sua inscrição no Enem — queria ganhar experiência. Veio o vestibular. A jovem tentou o curso de Geografia na Unioeste. “Não era o que eu sonhava, mas era um dos menos concorridos. O que me interessava naquele momento era continuar estudando, não queria ficar parada.”
Mesmo com tanto estudo, a aprovação no vestibular não veio. Na época, após a primeira decepção, Simone resolveu fazer a inscrição no ProUni, com opção para cinco cursos, entre eles, Direito. Foram evitáveis os seguintes pensamentos: a maioria dos jovens que ingressam em universidades federais ou estaduais apenas estudam, não precisam trabalhar. Além disso, sempre estudaram em colégios particulares (apesar de Simone sempre considerar o ensino público que teve excelente).
O sonho realizado e sem preconceitos
“Não acreditava que o ProUni fosse um programa tão sério.” Mas quando recebeu a notícia de uma amiga dizendo: “Você conseguiu bolsa de 100% no Cesul”, o choque foi inevitável. Por 10 minutos Simone parecia não acreditar que seu sonho havia se realizado. “Só depois saí gritando pela casa, contando pra família inteira”, recorda-se.
A jovem diz que jamais sofreu preconceito por ser acadêmica bolsista. Ela mesma sempre encarou a situação, sem nenhuma vergonha. “Era bem tratada pelos colegas e por toda a equipe da faculdade.” No entanto, a bacharel afirma que hoje percebe o preconceito de acadêmicos das universidades federais e estaduais com os que cursam as particulares. Escutou frases do tipo “eles são clientes e nós, alunos”, insinuando que para entrar no curso é só pagar. “Isso não é verdade. Grande parte das pessoas que fazem curso particular batalha o dia todo para conseguir pagar, ou suam a camisa estudando para ter direito a uma bolsa.”
Sobre as fraudes do programa, a jovem diz que devem existir, como em tudo na vida. Mas a prova está rigorosa e as maneiras de burlar o ProUni estão cada vez mais complicadas.
Todos têm vez na universidade
Com sua experiência de vida, Simone garante: “Não há duvidas que com o ProUni os estudantes pobres tenham vez na universidade”. Sem o programa, a jovem jamais conseguiria arcar com as despesas de mensalidade, livros e transporte. Orgulhosa, ela conta que é a única da família que tem curso superior. Mas não resumiria o programa como porta de entrada para alunos pobres, “só isso não basta, precisa haver dedicação. Conheço pessoas que tinham bolsa e desistiram, porque não conseguiam conciliar os estudos com o trabalho. Aluno de ProUni tem que ter a média exigida pela instituição, tem que ser bom”.
A sensação de dever cumprido atingiu o ápice na noite de formatura. Mais ainda: Simone sabia que era o orgulho da família. “Essa conquista não foi só minha”, agradece.
É o mesmo que sente João Anderson Klauck, 22 anos. O jovem conseguiu bolsa de 100% numa universidade em Santa Catarina. Precisou deixar a casa dos pais com 16 anos. No ano seguinte, veio a transferência para Beltrão, no Cesul. Hoje, João faz estágio em um escritório de advocacia e sabe que seu futuro será diferente. “Meus pais não tinham condições de pagar, por isso sou muito grato ao programa.”
Como concorrer a uma bolsa do ProUni?
Avaliação – Participar do Enem na edição imediatamente anterior ao do processo seletivo do ProUni e obter a nota mínima de 400 pontos.
Renda – Ter renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio para concorrer a uma bolsa integral, e de até três salários mínimos para concorrer a uma bolsa parcial.
O processo seletivo
Inscrição – O candidato deve cadastrar-se no site do ProUni. Nessa oportunidade, escolhe a modalidade de bolsa (integral ou parcial) e até cinco opções de instituições, cursos, habilitações e turnos.
Pré-seleção pelo MEC – O Sistema do ProUni (Sisprouni) classifica os estudantes, de acordo com as suas opções e a ordem das notas obtidas no Enem. São geradas, então, listagens públicas dos estudantes pré-selecionados em cada curso das instituições.
Checagem de informações – Os estudantes devem comparecer às instituições de ensino superior de posse dos documentos que comprovem os dados da ficha de inscrição.
Condição para a manutenção da bolsa: o bolsista ProUni precisa ser aprovado em, pelo menos, 75% das disciplinas cursadas em cada período letivo, sob pena de encerramento da bolsa.
José Claudio Rech, como citado na matéria, foi uma "expressão popular", "ser alguém na vida" como as pessoas falam, e não é só a faculdade de Direito especificamente, estávamos nos referindo a qualquer curso, ou você acha que poderíamos reunir pessoas de todos os cursos existentes, em uma matéria só? Ora, francamente, o que me parece é que você leva tudo ao pé da letra, nunca estudou figuras de linguagem??? Leia minuciosamente a matéria antes de escrever asneiras.
CORREÇÃO. O salário mínimo atual ultrapadas em alguns centavos os 622,.. e não 545,00 como mencionado. Estranho a Simone antes de fazer a Faculdade de Direito não ERA NINGUÉM e só agora é que ela é ALGUÉM? ........(PODERIA CORRIGIR ISSO? ou será que mais de 90% da população brasileira NÃO SÃO NINGUÉM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Quero aproveitar e saber como enviar artigo à redação para publicação, não possuo e-mail da redação e moro em outra cidade,Santo Antonio, Obriagdo.