Município está preocupado em reduzir o custo da alimentação dos bovinos de leite
Publicado em: 16/02/2012 - 10:19 | Atualizado em: 17/05/2012 - 10:14
Publicado em: 16/02/2012 - 10:19 | Atualizado em: 17/05/2012 - 10:14
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| Abertura do evento em Marmeleiro direcionado aos produtores de leite. |
O Departamento Municipal de Agricultura de Marmeleiro, em parceria com a Emater e a Coopafi, promoveu ontem, 15, uma palestra sobre silagem com grão úmido, custos de produção de rações e uso do farelo de canola, direcionada para produtores de leite. Com a estiagem que castiga a região, as entidades estão preocupadas com a redução da quantidade e da qualidade do alimento para o rebanho leiteiro. A palestra foi proferida pelo médico veterinário Ricardo Farias. O evento também contou com a presença do prefeito Luís Bandeira (PP), do presidente da Coopafi, Luiz Carlos Farias, e do técnico da Emater Marcos Antônio Paloschi.
O secretário Gilmar Garbin salienta que o agricultor irá enfrentar dificuldades financeiras neste ano e precisa encontrar formas de reduzir o seu custo de produção. Uma das propostas apresentadas é a utilização do farelo de canola para alimentação do gado. Estudos indicam que o produto tem até 35% de proteína, servindo tranquilamente como ração. O produtor poderia fazer o plantio na entressafra, vender o grão para a extração do biodiesel e receber o farelo de volta para a alimentação dos bovinos.
Programa de subsídio
Durante a solenidade, que contou com aproximadamente 70 produtores, foi realizado o lançamento do Programa de Subsídio dos Exames de Tuberculose e Brucelose. O objetivo é baixar a prevalência e incidência de brucelose e tuberculose no município e diminuir o custo dos exames para o produtor.
Para se enquadrar, é preciso seguir alguns critérios como, por exemplo, ter vendido leite com nota fiscal, pelo menos nos últimos três meses, e estar em dia com as vacinas dos animais. Uma licitação será feita em março para contratar 4 mil exames. A prefeitura irá subsidiar 50% do valor. O custo total dos exames é R$ 16 por cabeça, (tuberculose e brucelose), mas para o produtor sairá por R$ 8. A meta é atingir a metade do rebanho leiteiro do município. O leite é uma importante fonte de renda para a agricultura familiar. Por ano, o município produz 22 milhões de litros de leite.
Segundo ele, a preocupação com a sanidade das vacas leiteiras aumentou depois que entrou em vigor a Normativa 51. Os laticínios começaram a fazer exames e identificaram oito focos de brucelose e tuberculose no município. "É um fator preocupante porque as doenças são transmissíveis, inclusive, para os seres humanos. Estas famílias já estão recebendo acompanhamento da saúde pública."
Estiagem e perdas
Marmeleiro está sendo duramente castigado pela estiagem que acomete a região Sudoeste do Paraná. O Departamento Rodoviário disponibilizou duas máquinas exclusivas para fazer os bebedouros nas propriedades. "Estão sendo perfurados de 10 a 12 bebedouros por dia e não estamos vencendo os pedidos. É única forma de socorrer o agricultor neste momento que precisa dar água para a criação", pontua.
Os prejuízos são enormes para a agricultura. O milho teve quebra de 75%, segundo levantamento da Seab. A soja, que era a esperança do produtor, registra perdas de 50% e a produção de leite reduziu 30% até o momento. "Por enquanto não está faltando água para o consumo das famílias. Percebemos que as propriedades que possuem fontes protegidas com mata ciliar e cerca estão suportando bem a estiagem, as demais não possuem água."
O prefeito Bandeira também manifestou preocupação com a situação do município e disse que está trabalhando para apoiar os agricultores mais atingidos. Ele lamentou que parte da safra agrícola tenha se perdido: "Agora esperamos que chova para amenizar a situação das águas para o consumo dos animais".
O município foi contemplado com três poços artesianos pelo Governo Federal e mais um pelo Governo do Estado. Os projetos estão cadastrados no Sistema de Convênios do Governo Federal (Siconv) e os poços irão contemplar as seguintes comunidades: Linha Perseverança e São Jorge (60 famílias); Medianeira e Água Verde (35 famílias); São Pedro e São Domingos (40 famílias). O poço anunciado pela Secretaria Estadual de Agricultura ainda não tem local definido para ser instalado. Cada poço terá um custo aproximado de R$ 50 mil.