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| Os animais sofrem com a seca. |
Há dois anos, Nelson Parizotto recuperou uma fonte de água em sua propriedade. Com incentivo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Francisco Beltrão, o agricultor cercou a área e deixou o mato crescer. Daí em diante, água limpa não faltou para a cozinha de sua casa.
Nelson é morador da comunidade de Santo Izidoro, interior de Francisco Beltrão. Desde a semana passada, a situação vem se complicando na sua propriedade. Com a falta de chuva, a fonte secou e chegou a faltar água para as suas vacas de leite. Com isso, ele teve que investir quase mil reais na compra de uma bomba, uma mangueira de mais de 100 metros e os fios de luz, para puxar a água do seu pequeno açude até os animais.
“Na última sexta-feira, eu nem consegui dormir. As vacas estavam com sede e a fonte tinha secado. No sábado consegui puxar água do açude e resolveu o problema”, comenta Nelson. Ele diz que, se não chover bastante nos próximos 15 dias, vai secar o açude também. “O nível da água está baixando quatro dedos por dia. O açude é muito pequeno.” Em seis anos que Nelson Parizotto mora nesta propriedade, esta é a pior seca que ele já vivenciou.
Rio Erval está quase seco
O Rio Erval passa pela propriedade de José de Castro, na comunidade de Km 20. Embora seja um pequeno fluxo de água, o agricultor relata que nunca viu o rio numa situação como essa. “Eu moro aqui há 12 anos e agora ele está praticamente seco. Essa seca está castigando os produtores”, comenta. Ele tem um moinho que funciona com uma queda d`água. “Não tem água para fazer o moinho funcionar o tempo inteiro. Eu tenho que represar e moer aos poucos”, relata. José de Castro produz erva-mate em sua propriedade. Ele vende no Mercado do Produtor.
Segundo ele, o problema agora não é mais o pasto, mas a água para o consumo humano e animal. “Aqui na minha propriedade até que não está tão grave. Mas a gente conversa com os vizinhos e muitos deles estão reclamando. Alguns deles estão buscando água na cidade”, complementa.
Reunião do sindicato
Na manhã de segunda-feira, dia 6, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Francisco Beltrão fez uma reunião com cerca de 300 produtores no pavilhão da Cango. A pauta da sessão foi o problema da estiagem. “Vamos elaborar uma pauta de reivindicação com uma avaliação clara da situação. Só vamos conseguir avançar nesta situação se reunindo e discutindo o problema. Tivemos um caso parecido no ano passado com a questão do endividamento dos produtores. Conseguimos êxito. Agora queremos o mesmo com a estiagem”, comenta Daniela Celuppi, presidente do sindicato.
Ela diz também que é preciso mudar a forma que os municípios adotam para declarar estado de emergência. “Atualmente, um município só pode declarar emergência se a seca afetar 10% do PIB total. Mas no caso de Francisco Beltrão, que a economia não depende somente da agricultura, fica quase impossível isso acontecer.” Para ela, o ideal seria que o critério fosse o PIB agropecuário. “Francisco Beltrão já teve prejuízo de muito mais que 10% do PIB agropecuário. Se fosse desta forma, seria mais rápido para declarar emergência. Assim, a assistência do governo viria a tempo de amenizar a situação”, enaltece.
Mais reuniões na região
Hoje haverá uma reunião na Linha São João, no Recanto do Dário, em Francisco Beltrão, com representantes dos sindicatos de Francisco Beltrão, Marmeleiro, Renascença, Salgado Filho, Manfrinópolis, Eneas Marques e Nova Esperança do Sudoeste. “Depois, cada representante vai organizar uma reunião em seu município. Assim, vamos levantar ideias para elaborar a pauta”, afirma Daniela Celuppi.
Seguindo o cronograma do sindicato, essa pauta, que será encaminhada ao Governo do Estado, deverá ficar pronta no dia 1º de março. “Não podemos mais cruzar os braços e esperar a chuva cair. Precisamos de medidas que nos ajudem a amenizar os prejuízos causados pela seca”, conclui a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.