Em Renascença, estiagem castiga famílias, lavouras e animais
Publicado em: 09/02/2012 - 11:40 | Atualizado em: 17/05/2012 - 10:33
Publicado em: 09/02/2012 - 11:40 | Atualizado em: 17/05/2012 - 10:33
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| Máquina escava para encontrar água para os animais no interior de Renascença. |
A falta de chuvas na região Sudoeste do Paraná está castigando um grande número de famílias que mora na zona rural. Em Renascença, um dos municípios mais atingidos, há famílias que só têm água para beber porque estão sendo socorridas pelo caminhão pipa da prefeitura. A localidade mais comprometida fica no Assentamento João de Paula, onde residem aproximadamente 100 famílias, em virtude da ausência de rios, fontes ou córregos.
Na residência da agricultora Maria Sviderski Pilati, 54 anos, o poço secou e a única água que chega até sua propriedade é levada pela prefeitura. Ela estima que são três meses sem chuva na localidade. O solo está seco, as lavouras de milho foram "torradas" pelo sol e a soja está com dificuldade para desenvolver os grãos em razão da estiagem. A terra dela, que tem cinco alqueires, sempre foi ruim de água. "Até as vacas de leite tivemos que vender, porque não tinha água para dar de beber. Os bebedouros que eram abertos rapidamente secavam." Ela conta que os filhos cansaram de sofrer com a escassez de água e foram embora para a cidade. Hoje, residem com ela a filha Juciane, o genro Dione e a netinha Fernanda.
Ontem pela manhã, Maria estava ansiosa com a chegada do caminhão pipa com a água que seria armazenada em uma caixa d’água, em galões e baldes. É esta água que servirá para o consumo da família. "A gente trata com cloro e ferve antes de beber, mesmo assim fica com um cheiro muito ruim. É uma água esverdeada, com bastante limo", queixa-se Juciane. Quando o caminhão pipa demora, eles vão até a propriedade do vizinho e buscam água em uma fonte com baldes.
O diretor do Departamento de Agropecuária e Meio Ambiente, Leandro Molinetti, salienta que a prefeitura transporta diariamente entre 10 mil e 15 mil litros de água. Além disso, foram contratadas horas máquinas emergencialmente para atender a demanda de bebedouros nas comunidades. Até o momento, foram perfurados bebedouros para 40 famílias e ainda faltam outras 24 propriedades que já fizeram os pedidos. Os bebedouros servem para armazenar água para os animais beberem.
A agricultora Antoninha Pinheiro dos Santos da Cruz salienta que o bebedouro vai ajudar a preservar a água para as novilhas de leite. Ela perdeu todo o milho que plantou e nem mesmo plantas como batata e mandioca resistiram ao calor do solo. "Vai ser um ano muito difícil, com muita escassez de alimentos. Mas não podemos desistir e vamos continuar plantando", garante.
Na propriedade de Nelson Rogério Pereira, 37 anos, não falta água, no entanto, o sol está castigando as pastagens e a produção de leite reduziu 30% em janeiro. "Plantei um alqueire de milho que não deu nada; fiz silagem, mas ficou muito seca e agora está apodrecendo." Segundo ele, com a falta de chuva as pastagens não brotam e ficam com qualidade inferior. "Tenho 11 vacas em lactação e a produção diminuiu cerca de 2 mil litros por mês", lamenta.