Como aprendi a ler: Osmilde Pereira
Publicado em: 07/12/2011 - 09:32 | Atualizado em: 16/05/2012 - 03:24
Publicado em: 07/12/2011 - 09:32 | Atualizado em: 16/05/2012 - 03:24
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| Osmilde Bárbara Pereira. |
A minha vida escolar iniciouse na Escola Estadual Isolada de Sede Galdino, hoje Linha Martini, interior de Francisco Beltrão. É claro, quando fui para a escola já estava quase alfabetizada, pois tinha como professora minha amada tia e madrinha, a senhora Alba Paz da Silva Voigt, que mora no bairro Vila Nova e foi uma das primeiras professoras de Francisco Beltrão. Então, estava tudo em casa. Era uma escola multisseriada de 1ª à 4ª série. Como eu era privilegiada e, modéstia à parte, estava mais adiantada que os demais, meus pais, aconselhados pela minha tia/madrinha/professora, me colocaram no colégio das irmãs (internato só de meninas), aos 9 anos de idade. Este colégio situava-se ao pé do Morro do Calvário. Aí começaram os traumas na minha vida: até hoje, o entardecer e a solidão me entristecem, porque naquele tempo, aos 9 anos, eu não tinha nenhuma preparação para ficar longe do aconchego familiar. Sem contar o rodízio de obrigações semanais que éramos obrigadas a cumprir. E numas destas rotatividades, um fato cômico aconteceu quando fui para os trabalhos de auxiliar no refeitório. Certo dia, a responsável pela cozinha deixou uma bacia de ovos em cima da geladeira, alguém, ao abrir a porta, deixou-a cair, quebrando todos os ovos. Como eu era a mais tímida, jogaram a culpa toda em mim, resultando castigos e a duplicação de tarefas. Revoltada pela injustiça cometida pela madre superiora, e aproveitando um descuido das irmãs, na manhã seguinte, pulei o muro e fugi do colégio. Como conhecia o trajeto de casa, não segui pela estrada, mas atravessei pelas terras dos vizinhos, descansei nas sombras do pomar do sítio do meu avô, onde me fartei de frutas, tomei banho de rio e só resolvi chegar em casa ao entardecer. Neste intervalo de tempo, meus pais, as irmãs, alguns amigos, um subdelegado de Nova Concórdia e até seu Adelino Zanchet, que era patrão do meu pai, todos estavam desesperados à minha procura. Não sei como não apanhei, porque naquele tempo se apanhava, fui compreendida pela minha mãe, pessoa de uma bondade infinita e de coração manso (e que me faz muita falta). Tive que voltar, não para o internato, mas para a casa de um tio, para concluir aquele ano letivo, pois já estávamos no 4º bimestre. Bom, tudo isso motivou a mudança da minha família para a cidade, no ano seguinte, para dar estudos aos filhos, pois era a única herança que poderiam deixar, já que sempre enfrentaram dificuldades financeiras. Quero abraçar carinhosamente a minha tia/madrinha professora Alba e destacar também um dos maiores professores linguísticos que tive, professor Luiz Carlos de Albuquerque, porque fizeram das noites salas iluminadas, tornaram a luz da dúvida uma estrela remota, fizeram dos seus dias, planos de aulas e das suas aulas, planos para os meus dias. Obrigada, queridos mestres!
Osmilde Bárbara Pereira,
secretária do Colégio Alliança desde 1996.