Estudantes da EJA provam que idade não impede a volta aos estudos
Publicado em: 10/02/2012 - 10:41 | Atualizado em: 14/05/2012 - 06:34
Publicado em: 10/02/2012 - 10:41 | Atualizado em: 14/05/2012 - 06:34
Na última segunda-feira, dia 6, a EJA (Educação de Jovens e Adultos Fase 1) retornou às atividades. Mais que uma volta às aulas convencionais, para os estudantes da EJA é o reencontro com a prazerosa rotina da leitura e escrita. Muitos deles, quando iniciaram na modalidade de ensino, mal sabiam juntar as sílabas. Com o aprendizado veio a descoberta de um novo universo: o das letras.
Pedro Antônio Montanari, 72, morador no bairro São Cristóvão, destaca a importância que a família teve na retomada à escola. "Antes eu lia pouco; me virava, mas tinha vontade de aprender mais, e, com isso, minha família me incentivou. Leio de tudo: jornal, revista... No entanto, o que mais gosto de ler e interpretar são os cálculos matemáticos", diz Pedro, que frequenta as aulas no Sesc, no período da tarde.
História parecida é a da aposentada Leni Faedo, 65, moradora do Centro. "Quando aprendi a ler, percebi que minha vida se facilitou. Gosto de ler revista e jornal, mas a grande utilidade com a leitura veio através dos livros de receitas culinárias", comenta. Recentemente, Leni passou por sérios problemas de saúde, mas assim que se reabilitou, voltou à rotina das aulas. "A vontade de aprender era maior que a doença."
Segundo a coordenadora da EJA, Elci Salete Klosinski, não existe idade limite para voltar aos estudos. "A EJA é voltada para pessoas a partir de 15 anos, que não concluíram o ensino de 1ª a 4ª série. O que a gente percebe é que as pessoas de mais idade se sentem reticentes de voltarem à escola. Mas, como já vimos, não existe idade limite para aprender", garante. Mesmo discurso adotado pela professora Marleide Girardelli, há 17 anos na rede municipal de ensino. "Aqui cada aluno tem a sua capacidade e sua dificuldade. Por isso, procuramos fazer um trabalho individualizado", destaca.
As matrículas para a EJA estão abertas em todas as escolas que oferecem a modalidade. São elas: escolas municipais Madre Boaventura, Bom Pastor, Germano Meyer e Pedro Algeri; instituições estaduais como o Ceebja e colégios Leo Flach e Tancredo Neves e no Sesc. "As matrículas podem ser feitas com o professor da EJA da escola", lembra Elci. Os alunos ganham da prefeitura caderno, lápis e borracha. Também recebem consultas oftalmológicas e, caso necessitem, ganham óculos.
A EJA existe em Francisco Beltrão desde 2006. Neste período, cerca de 300 pessoas concluíram esta modalidade de ensino e partiram para a EJA Fase 2, de 5ª a 8ª série.