Escolas adotam câmeras de TV para evitar problemas entre alunos
Publicado em: 15/07/2012 - 08:08 | Atualizado em: 25/02/2013 - 07:43
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| O diretor do Colégio Telmo O. Müller com o sistema de câmeras: situação melhorou. |
A expansão do mundo digital colocou à disposição de pessoas, empresas, instituições e governos uma enorme gama de produtos. Os telefones celulares, câmeras fotográficas com filmadoras e outros produtos se tornaram acessíveis às mais variadas faixas da população. Os novos equipamentos são mais práticos, menores e os custos de aquisição e manutenção são relativamente baixos. Há alguns anos, organismos de segurança e prefeituras começaram a instalar câmeras de monitoramento do trânsito e para detectar possíveis delitos em ruas e em instituições de crédito. Em pouco tempo, empresas dos mais variados ramos econômicos passaram a adotar esta tecnologia. E as escolas também aderiram. Diretores dizem que os furtos e algazarras diminuíram drasticamente.
O Colégio Estadual de Marmeleiro implantou o sistema em 2007, inicialmente com seis câmeras. Mais nove foram instaladas em 2010, abrangendo vários setores. As aquisições foram feitas com recursos arrecadados pela APMF. A adoção dos equipamentos se deu para garantir a segurança do colégio, controlar a entrada e saída dos alunos e evitar pequenos furtos. Em caso de ausência do professor em sala de aula, a supervisão escolar pode passar atividades e monitorar a turma pelo sistema de TV.
Elton Gehlen, vice-diretor, comenta que, nestes cinco anos de adoção das câmeras, o colégio "melhorou 100%". O índice de indisciplina diminuiu bastante, há como controlar e acompanhar os estudantes e aqueles que cometem erros ou atos de indisciplina são chamados para conversar com a direção ou supervisão escolar. "Assim mesmo (com as câmeras) acontecem alguns problemas", ressalta. A direção mostra as imagens para os pais de alunos que tiveram problemas de comportamento ou atitude. Elton conta que os estudantes que vêm transferidos para o estabelecimento de ensino não acreditam que há monitoramento e vão ver na sala da direção como funciona o sistema.
O vice-diretor diz que o controle de algazarras e conversas em sala de aula depende de cada professor. "Quem tem que manter a ordem e a disciplina em sala de aula é o professor", observa Elton. Mas se for um problema sério, os alunos são chamados para dialogar com o setor pedagógico, direção e professor.
Os professores aceitaram normalmente esta nova tecnologia, pois entenderam que se trata de algo que pode ajudar na prevenção a atos de violência ou desobediência. A intenção do colégio é colocar uma câmera que capte imagens do lado de fora, da rua, porque já houve o furto de moto. "É uma segurança", argumenta Elton.
Para o vice-diretor, o uso das filmadoras força o aluno a se dedicar aos estudos. "Ele sabe que está sendo monitorado, então tem que vir para a escola pra estudar", salienta.
Comunidade apoiou iniciativa
O Colégio Estadual Telmo Octávio Müller, de Marmeleiro, implantou as câmeras de TV no final de dezembro de 2011. Nas reuniões com os pais foi levantada a necessidade do uso de câmeras de TV. A proposta foi colocada em votação e obteve aprovação. Na sequência, a APMF e o conselho escolar foram consultados e consideraram importante a iniciativa. O diretor da instituição, Ivanir Buratto, conta que, "nas reuniões com os professores, eles também acharam necessário. Foi dito que não era pra fiscalizar os professores e as aulas."
A APMF bancou os custos do projeto. Foram investidos R$ 8.200, pagos em cinco parcelas. Ivanir historia que até o ano passado ocorriam pequenos furtos, de canetas e outros produtos. Com o sistema, muitas coisas mudaram. O embate escola-pais praticamente acabou. Com as gravações, os pais podem ver as atitudes e comportamentos dos filhos. "O aluno, sabendo que o pai pode acessar a imagem, também se controla", observa.
Ivanir conta que diminuíram as algazarras e conversas em sala de aula. "Deu uma freada boa. É um controle interno. Agora temos a agenda escolar, o caderno pedagógico e o monitoramento por câmeras", relata.
Para o professor, o custo de instalação desta tecnologia se tornou mais acessível. Mas ele ressalta que "isso aqui não é a salvação da escola, isso só é mais um recurso que não dá pra prescindir".
O diretor comenta que aumentou a responsabilidade da escola nos dias de hoje, pois está assumindo funções que não seriam suas. "Nesta complexidade de ações e reações, a câmera veio pra somar em prol de uma educação que visa o respeito, a formação do cidadão e um melhor controle (da situação)", analisa.
Muitos benefícios com as câmeras
No Colégio Estadual de Renascença/Padre José Júnior de Vicente, até o ano passado ocorriam furtos em salas de aula, agressões entre alunos, entrada de pessoas estranhas e atos de vandalismo sem que se descobrissem os responsáveis. Com a implantação do sistema de câmeras, as coisas mudaram pra melhor. Os equipamentos foram instalados em outubro de 2011.
Márcio Camíccia, diretor, relata uma série de benefícios constatados com o projeto. As agressões entre estudantes diminuíram consideravelmente. O que foi quebrado de patrimônio público teve ressarcimento, as invasões de pessoas à instituição não aconteceram mais. "Qualquer pessoa estranha que adentra à escola é chamada a Patrulha Escolar", afirma. Furtos praticamente não vêm acontecendo mais. "Se ocorrem, os responsáveis são descobertos com a ajuda das imagens."
Antes, as salas não podiam ficar abertas na saída dos alunos para as aulas de educação física porque havia a possibilidade de furtos dos pertences. "Agora não, (as portas) ficam abertas e os alunos estão fazendo a prática esportiva", salienta Márcio.
Para a aplicação das provas, o professor comunica a direção sobre o dia e a hora e há acompanhamento para ver se os alunos estão trocando informações. Se os alunos forem pegos, depois são chamados pela direção. "Em termos de indisciplina, melhorou muito. Hoje o professor se sente protegido, ele sabe que, se sofrer qualquer ato ou agressão, os alunos estão sendo filmados", resume Márcio.
Foram investidos neste projeto R$ 9.500. O dinheiro veio do lucro de promoções, rifas e de festa junina, da APMF.
Todas as direções das escolas reforçam que a novidade não veio para fiscalizar ou controlar os professores.
O Colégio Estadual Professor Vicente de Carli, do bairro São Miguel, em Francisco Beltrão, estava se preparando para instalar câmeras. Mas a vice-diretora Franciele David informa que temporariamente a proposta foi suspensa "pelo alto custo de implantação". (FP)
Alunos apoiam instalação das câmeras
PS - A novidade nas escolas tem a aprovação dos alunos. Pelo menos daqueles que o Paraná Sudoeste entrevistou. Maicon Douglas da Silva Souza, 15 anos, estuda há um ano e meio no Colégio Estadual de Marmeleiro. Aluno do 2º ano de Educação Geral, ele achou bom porque o diretor pode acompanhar o desenvolvimento dos alunos em sala de aula. "A princíípio, nenhuma reclamação; se é pra ajudar, então tá bom", opinou.
Thauana Bottega, 9º ano A vespertino do Colégio Estadual Telmo Octávio Müller, também apoia a introdução das câmeras. "Acho que seria uma forma correta. Antes o professor nem queria falar pro diretor. E, mesmo assim, se fosse o caso, o aluno poderia mentir." A aluna argumenta que "também é uma forma de segurança, porque antes havia vários roubos de celular, estojos, canetas e até dinheiro".
Estudante do 9º ano do ensino fundamental do TOM, Marcos Tancon corrobora a informação da colega Thauana: "Sempre que a gente ia pra a aula de Educação Física sumia alguma coisa".
Ele disse ser favorável ao uso das câmeras de TV, "pois (antes) o aluno podia aprontar alguma coisa e depois chegava na direção e mudava a versão do professor".
Sérgio Farias, professor de Geografia no Colégio Telmo Müller, apoia a implantação das filmadoras nas instituições de ensino. "Vejo como positivo. Ela vem a dar segurança ao professor, à escola, tanto como motivação em sala de aula e do aluno. Não tem como contestar a imagem", analisa. Ele acrescenta que "não vejo a câmera como uma ferramenta pra vigiar a ação do professor".
O professor entende que se trata de recurso "que a gente tem pra conversar com os alunos em relação as suas atitudes e a família. A imagem dispensa comentários. Eles têm aquele cuidado. Eu, particularmente, vejo como uma das melhores coisas nas minhas aulas".
Problemas com alunos ocorrem em todo o país
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Tereza Zatta Valdameri, afirma que em Renascença, assim como na maioria dos municípios brasileiros, ocorrem muitos casos de indisciplina, tanto na sala de aula quanto fora dos portões da escola.
Ela salienta que as brigas entre os adolescentes já não ocorrem como no passado, porém, ainda há casos de conflitos entre professores e adolescentes, principalmente por causa da indisciplina. A conselheira tutelar Zilda Maria Davóglio de Almeida salienta que nestes casos o caminho a ser tomado é a busca do entendimento entre escola, pais, professores e alunos.
Com a instalação das câmeras, as escolas conseguem vigiar em tempo integral o comportamento dos estudantes dentro dos seus limites. Mas os maiores problemas ocorrem fora do alcance do estabelecimento de ensino — é o caso da evasão escolar, motivada muitas vezes pela drogadição e a prostituição infantil.
Tereza afirma que há um número considerável de alunos que gazeiam aula e vão para outros locais como a praça, o lago ou ficam vagando pela cidade. "O Conselho Tutelar procura resgatar esses jovens, levar de volta para o colégio e comunica os pais." Ela revela que considera o número de usuários de droga muito alto no município.
"São adolescentes que se evadem da escola, procuram drogas, a família toda sofre e poucos aceitam ajuda, pois existe um aparato em que o Conselho e a Saúde podem encaminhar para tratamento. Muitas famílias, talvez por desconhecimento, não aceitam tratar, acham que podem resolver por si só, e acabam tornando uma situação insustentável", lamenta. A presidente do CMDCA afirma que, além de drogas, muitos adolescentes, com idades entre 12 e 14 anos, prostituem-se e os laços familiares estão partidos. (NP)
Equipamentos instalados nos três colégios
Colégio Estadual de Renascença: 21 câmeras espalhadas por 16 salas de aula, no pátio, saguões e no laboratório de informática.
Colégio Estadual Telmo Octávio Müller, Marmeleiro: 12 câmeras de TV espalhadas pelo saguão, pátio, biblioteca, quadra de esportes, em oito salas de aula e no laboratório de informática.
Colégio Estadual de Marmeleiro: 15 câmeras, sendo uma no saguão, laboratório de informática e 13 salas de aula.
O sistema de monitoramento é composto pelo DVR (o CPU dos computadores normais) que recebe e grava as imagens, um monitor e as câmeras. As câmeras ficam ligadas praticamente o dia todo.



