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GERAL
30 de julho de 2010

Professora de 33 anos morre após se submeter à cirurgia plástica

Diretor clínico e chefe da UTI da instituição de saúde lamenta a morte, mas diz que todos os procedimentos para salvar a paciente foram adotados.
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Por Niomar Pereira

A família de Leandra Bernardi, 33 anos, que faleceu na sexta-feira, 23, após ter realizado uma cirurgia plástica para redução dos seios, está desolada com a perda prematura da professora. Ela se submeteu ao procedimento cirúrgico na terça-feira, 20, na Policlínica São Vicente de Paula, em Francisco Beltrão, com o médico Aryzone Mendes de Araújo Filho.
Leandra era professora do Colégio Estadual de Renascença nas disciplinas de Filosofia e Educação Especial. Casada com Jorge Lui e mãe de um menino de 10 anos, preparava-se para ingressar no curso de mestrado. A causa da morte registrada pelos médicos foi Tromboembolismo Pulmonar, ou Embolia Pulmonar.
A mãe de Leandra, dona Elza, salienta que passou toda a tarde de quarta-feira com a filha no hospital, quando a mesma teria relatado que sofreu um desmaio no período da manhã devido à uma queda de pressão. "Apesar disso, ela estava bem, sorridente e conversando normal. Fiquei com ela até umas 17 horas", relembra. Foi a partir deste horário que o quadro da professora começou a piorar.

A causa da morte
O diretor técnico do hospital e chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), médico Marcos Juliano Tassi, explica que a professora apresentou inicialmente um quadro de dispnéia (falta de ar) em seguida sofreu uma parada cárdio-respiratória. A paciente foi reanimada e levada para a UTI no começo da noite da quarta.
De acordo com ele, Leandra era uma paciente de baixo risco para este tipo de problema. No entanto, o médico ressalta que é muito comum em qualquer tipo de cirurgia — principalmente as ortopédicas —, a formação de trombo (coágulos) nos membros inferiores (pélvis e pernas). Esses trombos se soltam e entram no fluxo venoso, vão navegando pela corrente sanguínea até alojar-se no pulmão.
Os médicos a reanimaram e ministraram medicamentos para dissolver o coágulo sanguíneo. Ela permaneceu hospitalizada na UTI até as 12:40 de sexta-feira, quando morreu. "De 15% a 50% dos pacientes cirúrgicos podem ter formação de coágulos nas veias. Mas na maioria dos casos a pessoa vai sentir uma pequena falta de ar ou nem perceberá", informa o médico.

Como prevenir?
Para prevenir a Trombose Venosa Profunda (TVP), os médicos recomendam que os pacientes pós-operatórios caminhem para potencializar a circulação sanguínea e também ministram medicamentos para dissolver os coágulos. Dr. Marcos fala que nenhum coágulo se forma no pulmão, mas podem se alojar ali, evoluindo para uma Embolia Pulmonar, quando há a obstrução da passagem do sangue pela artéria pulmonar. Conforme disse, se a oclusão da árvore respiratória for de 30% a 40% ainda há chance de sobrevivência, se for superior a isso, a taxa de mortalidade se torna alta.
No caso de Leandra, o médico confirma que foi realizado um ecocardiograma que demonstra todo o lado direito do pulmão dilatado, confirmando que o sangue não estava sendo bombeado para a árvore pulmonar. Ele lamentou a morte da professora, mas ressalta que todos os procedimentos médicos necessários foram adotados. "Não faltou atendimento", garante.

Um sonho de cinco anos
Jorge Lui conta que a esposa estava feliz com a cirurgia que vinha planejando há cinco anos. "Eu concordei, era algo que ela queria muito porque se queixava frequentemente de dores na coluna." Ontem pela manhã, quando a reportagem do JdeB visitou a residência da família, em Renascença, além do clima de consternação havia poucas informações sobre a causa da morte. Nestes casos, é de praxe a família ficar com o prontuário médico, documento onde consta o estado da paciente e os procedimentos a que foi submetida.
A presidente da Apae, entidade onde Leandra lecionava, Terezinha Zanella, lembra que ela era uma pessoa muito bem humorada e no início demonstrava um pouco de medo com a cirurgia, "mas ela buscou todas as informações necessárias e tomou coragem para fazer. Ninguém podia imaginar que a cirurgia dela ocasionaria esse fim trágico", lamenta.
O JdeB telefonou duas vezes, à tarde, para a clínica do médico Aryzone Mendes de Araújo Filho para solicitar uma entrevista, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

 
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