
A Polícia Civil transferiu ontem os primeiros detentos para o CDR (Centro de Detenção e Ressocialização) de Francisco Beltrão. Uma fonte extra-oficial informou que 16 presos foram transferidos em três operações durante o dia. Cinco nas duas primeiras viagens, pela manhã, e seis na terceira, à tarde. Segundo ainda a fonte, até o final da semana, 77 presos devem deixar a cadeia pública. CDR vai lotar em dois meses, prevê juiz
Antes de iniciar as operações, o delegado Ivonei Oscar da Silva não quis conceder entrevista. Disse apenas que as transferências representam um alívio para o trabalho dos policiais. Por questões de segurança, não revelou horário e nem número de presos a serem transferidos. Os dados só foram obtidos mais tarde com o Fórum de Cascavel.
No CDR, o ritmo de funcionamento entre os agentes penitenciários é criterioso há semanas. Entradas e saídas são registradas e anunciadas. Apesar da expectativa em torno dos condenados, a primeira operação ocorreu com tranqüilidade.
Segundo informações do coronel Marino Ari Burille, diretor do CDR, a transferência dos presos estava prevista para ocorrer por volta das 8 horas. Mas a chegada dos cinco primeiros detentos ocorreu exatamente às 10h40.
Do lado de dentro do portão principal, a reportagem do Jornal de Beltrão acompanhou, com exclusividade, o momento em que o camburão entrou no CDR. Para preservar a identidade dos detentos, não foi possível entrar no pátio onde o veículo é aberto. Neste local, os presos só são liberados depois que o portão é fechado.
De acordo com o juiz da VEP (Vara de Execuções Penais) de Cascavel, Paulo Damas, em dois meses o CDR — que tem capacidade para 960 detentos — estará lotado. “Vai lotar porque a demanda é muito maior, e por não ficar restrito só a Beltrão, vai atender 11 municípios”, prevê Damas. “Aqui eu estou com lista de espera”, conta.
Como a VEP de Francisco Beltrão ainda não está funcionando, o CDR deve permanecer subordinado a vara de Cascavel. Conforme Damas, todos os presos condenados da cadeia pública de Beltrão já estão com as transferências autorizadas. Segundo o juiz, outros 40 de Pato Branco e 140 da região de Cascavel também foram designados a cumprirem pena no CDR.
Ele reitera, no entanto, que nova triagem está sendo realizada para levar em consideração a residência da família. “Quando o preso é condenado, os familiares se mudam para perto dele”, diz Damas, alegando que por essa razão, os condenados não são transferidos.
Sobre o possível aumento da criminalidade, o juiz ressalta que esta possibilidade é bem pequena, já que a segurança do CDR “é um espetáculo”. “Isso inibe muito a comunicação de fora pra dentro e de dentro pra fora. E por mais perigoso que o preso seja, são 60 celas de isolamento e com isso se inibe qualquer criminalidade”, adiantou.
| © 2008 Editora Jornal de Beltrão S/A Todo o material deste site não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. |
Desenvolvido na CEICOM |