• FRANCISCO BELTRÃO       Outras

  • 00
  • Chuvas
  • 0mm
  • Temperatura máxima e mínima

Richard Zajaczkowski
 
MORAL DA HISTÓRIA

30 de julho de 2010

Mestres e discípulos

Podemos dizer com certeza quase absoluta que o ensino neste país passa por enormes dificuldades, tanto da parte dos professores quanto da dos alunos. Para alguns destes, não existem normas e nem regras de boa conduta. Para aqueles, ensinar não se tornou apenas um produto  físico-mental cansativo, mas também emotivo e psicológico capaz de desenvolver etapas de estresse e profundas depressões, ou seja, ministrar aulas virou cenário de medo e horror. Não precisamos dar exemplos de violências físicas e verbais de alunos contra professores. Quase que diariamente os meios de comunicação nos informam desses lamentáveis episódios. O desrespeito é a tônica nesse ambiente. Recentemente as autoridades do controle de trânsito desta cidade instituíram o slogan "motociclista sim, motoqueiro não", para diferenciar os bons dos maus. De fato, um motoqueiro prejudica mais os outros do que a si mesmo. Poderíamos dizer o mesmo em relação aos educadores e educandos? Bem, grosso modo diríamos: mestres sim, professores não; discípulos sim, alunos não. Na verdade, isso é uma observação discriminadora. Não são apanágios de alunos comportamentos desqualificados se professores não estão à altura de suas funções. Àqueles, cabe o respeito ao ser humano, independentemente de suas qualificações profissionais; a estes, a formação de caráteres de conduta irreprochável. Paulo Coelho, escritor, transcreve alguns diálogos de Confúcio com seus discípulos, a respeito de aprendizado:
*
"(...)  — O que é pensar corretamente?
— É saber usar a mente e o coração, a disciplina e a emoção. Quando se deseja alguma coisa, a vida nos guiará até lá, mas por caminhos que não esperamos. 
Muitas vezes nos deixamos confundir, porque estes caminhos nos surpreendem, e então achamos que estamos indo na direção errada. Por isso eu disse: deixe-se levar pela emoção, mas tenha a disciplina para seguir adiante.
— O senhor faz isso?
— Aos 15 anos, comecei a aprender. Aos 30 passei a ter certeza do que desejava. Aos 40 as dúvidas voltaram. Aos 50 descobri que o Céu tem um projeto para mim e para cada homem sobre a face da Terra. Aos 60 compreendi este projeto e encontrei a tranquilidade para segui-lo. Agora, aos 70 anos, posso escutar meu coração, sem que ele me faça sair do caminho.
— Então, o que o faz diferente dos outros homens que também aceitam a vontade do Céu?
—  Eu procuro dividi-la com vocês. E quem consegue discutir uma verdade antiga com uma geração nova, deve usar sua capacidade de ensinar. Esta é a minha única qualidade: ser um bom professor.
— O que é um bom professor?
— É o que examina tudo o que ensina. As ideias antigas não podem escravizar o homem, porque com o tempo elas têm que se adaptar e ganhar novas formas. Então, tomemos a riqueza filosófica do passado, sem esquecer os desafios que o mundo presente nos impõe.
— E o que é um bom aluno?
— É aquele que escuta o que eu digo, adaptando seus ensinamentos à sua vida, mas nunca os seguindo ao pé da letra. É aquele que não procura um emprego, mas um trabalho que o dignifica. E, por fim, é aquele que não busca ser notado, e sim fazer algo notável.
*
Moral da história: para conhecer um homem, veja como ele age, descubra o que ele busca, examine o que o faz feliz. Quem pergunta é bobo por cinco minutos. Quem não pergunta é bobo para sempre".


© 2008 Editora Jornal de Beltrão S/A
Todo o material deste site não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.
Desenvolvido na
CEICOM