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Richard Zajaczkowski
 
MORAL DA HISTÓRIA

20 de julho de 2010

Fazendo o bem

Uma das coisas agradáveis na vida do ser humano é a alegria de possuir visão. Com ela ele se deleita ou se horroriza, ou seja, estamos sempre sujeitos a vivenciar experiências que tanto podem ser boas quanto ruins. Dizem os entendidos que a primeira visão é que conta e pode ser genuína. Podemos concordar com essa ideia desde que estejamos nos referindo à natureza, ao ambiente artificial e/ou modificado pelo homem. Mas quando volvemos os olhos para a figura humana, nem sempre aquilo que vemos é verdadeiro, isto é, a mente leva-nos a outras conclusões. Pessoas entusiastas, levianas e muito ligadas ao materialismo, muitas vezes cometem o grave erro de julgar seus semelhantes pela aparência ou por um ato por eles praticado. Esta atitude é sempre movida pelo ser humano preconceituoso que não encara a sua espécie apenas como entidade. Incrível é constatarmos a capacidade da força destruidora que os pensamentos do ser humano possuem em relação ao seu próximo, sejam manifestados pela fala e/ou guardados na sua intimidade. Vivenciamos isso diariamente: se alguém faz dez boas ações, os invejosos, arrogantes e maledicentes torcem o nariz para dizer que essa pessoa nada fez a mais do que a sua obrigação. Mas se ela passou a maior parte de sua vida fazendo o bem, de repente, em um momento mal pensado cometeu um deslize, então é quase sumariamente condenada e, no futuro, vista com desconfiança, como a dizer que se errou uma vez, pode errar duas ou mais vezes. As pessoas não costumam ver a essência — o lado espiritual — do ser humano, apenas o aspecto material visível aos olhos. Disso resulta conduta equivocada, como no conto do livro "Como Atirar Vacas no Precipício", de Alzira Castilho:
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"Uma família de cinco pessoas passava o dia na praia. As crianças tomavam banho de mar e faziam castelos de areia, quando, ao longe, uma velhinha surgiu. O cabelo grisalho e as roupas sujas e esfarrapadas esvoaçavam ao vento. Não parava de resmungar enquanto apanhava coisas da areia e as colocava em um saco. Os pais reuniram correndo as crianças e lhes disseram que ficassem longe da velha. Quando ela passou por eles, curvando-se de quando em quando para catar suas coisinhas na areia, sorriu para a família. O cumprimento, porém, não foi correspondido. Semanas mais tarde, a família soube que a velhinha dedicara toda a sua vida a uma cruzada: recolher caquinhos de vidro na praia, para que as crianças não cortassem o pé".
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Moral da história: é justamente por críticas negativas que a imprensa falada e escrita quase sempre estampa manchetes ruins ao invés de mostrar também o lado bom das pessoas e das coisas.


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