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Richard Zajaczkowski
 
MORAL DA HISTÓRIA

13 de julho de 2010

Atalhos da vida

Costuma-se dizer que a pressa é inimiga da perfeição. Fazemos as coisas de forma corrida sem pensar nas consequências. Procuramos abreviar certas etapas da vida, sem imaginar que elas possam ser importantes para completar a nossa experiência. A impaciência no ser humano já lhe causou inúmeros transtornos, alguns de média monta e outros de resultados mais graves. O fato de não tolerarmos conselhos e tampouco segui-los já deixou muitas pessoas em sérias dificuldades. A vaidade, a arrogância e o orgulho não as deixam aprender lições de humildade. O problema maior das pessoas é que elas valorizam muito as coisas materiais, mormente quando se trata de valores monetários. Pois ninguém em sã consciência trocaria valores abstratos por dinheiro. A ganância e a ambição às vezes levam as pessoas a perder a vida. Mas a prudência, a sabedoria e o interesse por valores abstratos resguardam-nas do perigo e protegem seus frutos materiais, como no conto a seguir:
*
"Dois jovens recém-casados eram muito pobres e viviam de favor em um sítio no interior. O marido fez uma proposta à esposa:
— Querida, vou sair de casa, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-lhe uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo ficarei longe. Só peço uma coisa: que você me espere e, enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você.
O jovem andou muitos dias a pé, até encontrar um fazendeiro que precisava de alguém que o ajudasse em sua fazenda. Aceito, propôs um pacto com seu patrão. Não queria receber o salário, que o colocasse em uma poupança e, no dia que desejasse ir embora, que o recebesse em sua totalidade. Assim combinado, o jovem trabalhou sem férias e sem descanso durante 20 anos. Passado esse tempo o jovem requereu o cumprimento do pacto. Antes de pagar, seu patrão fez-lhe uma proposta:
— Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou lhe dou três conselhos e não lhe dou o dinheiro. Vá para seu quarto e depois me dê a resposta.
Passados dois dias ele procurou o patrão e disse-lhe que desejava os conselhos. Seu patrão insistiu várias vezes dizendo que se desse os conselhos, não lhe daria o dinheiro. Mesmo assim, queria os conselhos. E o patrão disse-lhe:
— 1º) Nunca tome atalhos em sua vida; caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar-lhe a vida. 2º) Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser fatal. 3º) Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.
Na despedida, seu patrão deu-lhe três pães: dois para comer durante a viagem, e o terceiro para repartir com sua esposa. Andando no primeiro dia encontrou um andarilho. Pediu informações para o seu destino. Foi-lhe indicado um atalho que encurtaria em metade o tempo de caminhada. Contente, reiniciou a viagem, mas lembrando-se do conselho, voltou à estrada anterior. Dias depois, soube que o atalho levava a uma emboscada. Mais alguns dias de viagem, cansado, achou uma pensão à beira da estrada e hospedou-se. De madrugada, acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se e dirigiu-se à porta para ir até o local onde ouviu o berro, porém, recordando do segundo conselho, voltou ao quarto e dormiu. Pela manhã, no café, o hospedeiro perguntou-lhe se ele não ouviu alguma algazarra. Ao responder que sim, indagou também se teve curiosidade de ver o que estava acontecendo. O jovem respondeu negativamente. O hospedeiro disse-lhe:
— Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura, grita durante a noite e quando o hóspede sai, mata-o e enterra-o no quintal.
Depois de muitos dias e noites de caminhada, por fim avistou a sua casinha. Estava anoitecendo, ele aproximou-se e viu a silhueta de sua esposa. Andando mais um pouco, observou que ela tinha entre os braços um homem, que lhe acariciava os cabelos. Vendo a cena, seu coração se encheu de ódio e amargura. Decidiu correr ao encontro dos dois e matá-los sem piedade. Apressando os passos, lembrou-se do terceiro conselho. Decidiu esperar o dia seguinte para tirar satisfações. Bateu à porta da casa. Ao reconhecê-lo, sua esposa atirou-se ao seu pescoço e o abraçou afetuosamente. Tentou afastá-la, mas não conseguiu. Com lágrimas nos olhos, disse-lhe:
— Fui fiel a você e você me traiu.
Espantada, ela respondeu-lhe:
— Como? Eu nunca o trai, esperei-o durante esses 20 anos.
Ele, então, lhe perguntou:
— E aquele homem que você estava acariciando ontem, ao entardecer?
Ela lhe disse:
— Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje, ele está com 20 anos.
Depois das apresentações, sentaram-se para tomar o café e comer juntos o último pão. Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele partiu o pão e, ao abri-lo, encontrou todo o seu dinheiro, o pacto por seus 20 anos de dedicação".
*
Moral da história: jamais haverá desamparo para quem pratica o bem.


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