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Richard Zajaczkowski
 
MORAL DA HISTÓRIA

6 de julho de 2010

Tinha uma laranja...

O artigo desta semana termina com reticências porque a frase como título é muito comprida para exprimir uma ideia. Ficaria assim: "Tinha uma laranja no meio do nosso caminho". Esse obstáculo material recorda-nos o poema de Carlos Drummond de Andrade: "Tinha uma pedra no meio do caminho". O assunto, atravessado na garganta de todos os brasileiros, ainda não digerido, é a nossa desclassificação dos jogos da Copa Mundial de futebol na África do Sul. Por que será que perdemos? Existem vários motivos e cerca de 190 milhões de técnicos palpiteiros. Dizem os estudiosos e pesquisadores da ciência do comportamento humano, que todos aqueles que se ufanam serão humilhados ou vice-versa; também, todos aqueles que respeitam serão respeitados. É a infalível lei da ação e reação, ou seja, assim como visares, assim serás visado. Mas um dos principais motivos que levou o time à bancarrota foi o despreparo emocional. Derly Pacheco, em sua crônica no JdeB de sábado último, afirmou que a ausência absoluta de QE (quociente emocional) de alguns jogadores levou a seleção à derrota por antecipação psicológica. O nervosismo por contágio tomou conta dos companheiros da equipe, aliados ao fato de já estarem perdendo por pontuação o jogo. A partir daí, tudo desandou. Não se viu um futebol-arte, igual ao que jogou a Alemanha contra a Argentina. Esta também sofreu um vexame, maior do que o nosso, pois, apesar de seu favoritismo, levou para casa a derrota de uma goleada. Também tiveram seus pecadilhos de egoístas e arrogantes, falhas humanas em quaisquer de suas atividades, sejam esportivas, sociais ou profissionais. Pois, ironias do trocadilho, a seleção canarinho (ou seria rinoceronte?) trocou tanto os pés pelas mãos, quanto as mãos pelos pés, para os milhares de pessoas que assistiram aos jogos, demonstrando claramente um futebol violento, descontrolado e recheado de gritarias e ofensas. Já dissemos isso muitas vezes antes, em qualquer atividade humana, mais para equilibrar emoções do que para vencer, embora este último desejo seja o escopo, é preciso duas coisas no comportamento humano: humildade e respeito pelo adversário. A Holanda, conhecida pela alcunha "Laranja Mecânica", antes do início do jogo ensejou, segundo reportagens na televisão, uma série de declarações idiotas e brincadeiras inofensivas de mau-gosto por parte dos torcedores. Uma clara manifestação de falta de respeito pelos adversários, como se eles não fossem dignos de estarem nesse campeonato, para, quem sabe, também se tornarem vencedores. Ser pentacampeão nunca foi o principal requisito para ganhar copa nenhuma. Na verdade, o descontrole emocional dos jogadores não os levou com calma e certa tranquilidade, principalmente por sermos favoritos, um fator de emotividade positiva, a digerir a laranja gomo por gomo. Ao invés disso, foi engolida de atropelo e acabou obstruindo as vias aéreas e respiratórias, vindo a causar a morte do sonho do hexa por asfixia.
Moral da história: jamais te vanglories; antes de procurar erros nos adversários, vasculhe e elimine os teus.


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