• FRANCISCO BELTRÃO       Outras

  • 00
  • Chuvas
  • 0mm
  • Temperatura máxima e mínima

Richard Zajaczkowski
 
MORAL DA HISTÓRIA

29 de junho de 2010

Valorizando as coisas

Sempre foi da natureza dar pouco valor às coisas obtidas sem maior esforço. Aquilo que conseguimos de maneira fácil, em pouco tempo perde a nossa atenção é esquecido e deixado de lado. Esse princípio de conduta, infelizmente, também se aplica às pessoas que são manipuladas por outras segundo os interesses de cada um. Apenas dois motivos desencadeiam o interesse das pessoas nas coisas: a dificuldade em consegui-lo e a novidade da situação. Interessante é observar que mesmo quando algo é conseguido com bastante esforço, a pessoa dá o devido valor a isso, porém, com o passar do tempo, aquilo que anteriormente era valorizado passou para segundo plano, ou seja, banalizou-se. É uma forma genérica do comportamento humano de perder o interesse naquilo que antes buscava com viva satisfação. Conduta típica de infantilidade. Isso demonstra nas pessoas um caráter algo volúvel, cujo desejo mantém-se aceso apenas enquanto durar o foco da egocentria. O mundo material e as coisas nele contidas que nos envolvem são boas apenas enquanto nos forem úteis e necessárias. Fora deste campo de atuação corremos o risco de nos tornarmos escravos delas. Pois, não vivemos em função da materialidade, mas dela servimo-nos para atingir objetivos mais elevados, como o desenvolvimento espiritual. Por isso, devemos valorizar todo e qualquer aspecto de ordem material, não apenas como uma busca subjetiva para realizar interesses próprios, mas para alcançar os meios necessários da correta atuação na materialidade, almejando então, um passo melhor ao desenvolvimento anímico. O objetivo primordial do ser humano é a realização espiritual, e esta somente concretiza-se quando for completa e sábia a utilização da matéria à nossa disposição. Uma coisa é complementar da outra, razão máxima para se respeitar e dar valor àquilo que nos serve de escada para a ascensão. Não precisamos buscar o ceticismo nas coisas para dar-lhes valor, como no conto a seguir:
*
"Um sábio passeava pelo mercado quando um homem se aproximou e disse-lhe:
— Sei que és um grande mestre. Hoje de manhã, meu filho me pediu para comprar algo que custa caro; devo ajudá-lo?
— Se essa não é uma situação de emergência, aguarde mais uma semana antes de atender seu filho.
— Mas se tenho condições de ajudá-lo agora, que diferença fará esperar uma semana?
— Uma diferença muito grande. A minha experiência mostra que as pessoas só dão o real valor a algo quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não consegui-lo.
*
Moral da história: não é em vão que se diz: o que vem fácil, vai fácil".


© 2008 Editora Jornal de Beltrão S/A
Todo o material deste site não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.
Desenvolvido na
CEICOM