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Richard Zajaczkowski
 
MORAL DA HISTÓRIA

22 de junho de 2010

Fidelidade desonesta

Malandragem, esperteza e astúcia são palavras sinônimas para designar pessoas que se utilizam deste expediente para levar vantagens e não cair no prejuízo. Apenas a nossa mente tem faculdades de imaginar coisas deste tipo, com objetivos de nos livrar de certos problemas. O dom ou faculdade que nos foi concedida pelo uso da inteligência, lamentavelmente, ao longo dos milênios, tem sido manipulado em proveito próprio e para detrimento de nossos semelhantes. Utilizando-se da inteligência, os seres humanos se acham espertos quando percebem que podem obter lucros e/ou vantagens sobre os outros, mormente quando sabem que suas condutas não violam leis materiais, impedindo que respondam criminalmente pelo ato. Hodiernamente, o ser humano usa a inteligência para melhorar a vida de seus semelhantes, quer dizer, apenas alguns deles, porque boa parte ainda vive na miséria, na pobreza, ignorante, muitas vezes desassistida das necessidades básicas como alimentação, saúde e habitação. Se esse comportamento for sinal de inteligência, então deve ser idêntica àquela dos tempos medievais, nas quais o que mais interessava eram as guerras de conquista, enormes diferenças de classes sociais e pouca assistência aos necessitados. Não há muita diferença se compararmos aquela época com a atual, exceto pelos modernos meios tecnológicos adquiridos, facilitando a vida em muitas situações. No mais, a exploração de um ser humano por outro continua. Assim o é se analisarmos a situação em todos os países: exploração em todos os sentidos, mortes, favelização, baixo pagamento de salários que mal servem para a própria sobrevivência, entre outros fatores que alijam muitos de progredir econômica e espiritualmente. Ninguém precisa desse tipo de inteligência que mais serve para lesar do que favorecer. Mas cada um vai saber o que lhe é útil espiritualmente, quando despir-se deste corpo material, e verificar que no outro lado, ter um físico bonito, ser inteligente, astuto, possuir bens materiais, tudo isso, é zero à esquerda. Não tem nenhum valor. Nosso conto mostra que uns acham cumprir seus deveres pelo raciocínio tortuoso de suas espertezas:
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"Certo dia, afligido por problemas pessoais, um homem prometeu solenemente que, se eles fossem solucionados, venderia sua casa e doaria o produto da venda aos pobres. A ocasião de cumprir a promessa, finalmente, chegou. Como, porém, não desejava mais se desfazer de tanto dinheiro, pensou num meio de contornar a situação. Colocou a casa à venda por uma moeda de prata, mas, junto com a casa, o comprador teria de adquirir um gato. E o preço do animal foi fixado em dez mil moedas de prata. Um comprador se interessou em adquirir a casa e o gato. O antigo dono deu a moeda de prata aos pobres, cumprindo a promessa, e embolsou as outras dez mil".
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Moral da história: de fato, esse deu a palavra e a cumpriu do ponto de vista técnico e legal. Mas pela ética e pela moral, continuou egoísta e avarento, quando ofereceu o trocadilho da promessa a miséria de uma moeda aos pobres.


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