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Richard Zajaczkowski
 
MORAL DA HISTÓRIA

9 de março de 2010

Os descansados

Felizes são todas aquelas pessoas que entendem que o trabalho dignifica, serve como receptáculo para minimizar certas desilusões e também é lenitivo para ajudar a passar o tempo com certas ansiedades. Como diz a máxima popular: é com o suor do nosso trabalho que ganhamos o pão de cada dia. O trabalho em si mesmo tem sua natureza diversificada, ou seja, ele pode se apresentar como de esforço manual e/ou mental. Muitas pessoas pouco afeitas ao mundo da intelectualidade, isto é, ao trabalho daqueles seres humanos que utilizam sua inteligência para produzir bens e serviços, acham que este tipo de atividade não pode ser verdadeiramente classificado como trabalho. Pois, no fundo, verdadeiro trabalho é aquele realizado no íntimo de cada um, pouco importando se usamos os braços ou a mente, e inclinado pela predisposição e boa vontade. Feito sempre dessa forma, produz resultados além do que possamos imaginar. Neste aspecto estamos sempre dando o melhor de nós naquilo que fazemos. Na vida das pessoas e de todas as coisas existe a lei do movimento, pois nada é estático, parado. O trabalho faz parte desta lei, posto que se caracteriza pela movimentação, faz-nos esquecer outros problemas, ajuda na concentração e às vezes traz alívio às tensões. Há pessoas que se acham espertas quando lucram com alguma coisa na vida, sem o merecer pelo trabalho, seja ele árduo ou não. A isso se costuma dizer que ganhamos algo de mão beijada. Não há como se ufanar disso, pois o mérito é nulo. Mas, por vezes determinados trabalhos nem sempre exigem movimento, pois podem ser também cuidado e concentração, como no conto a seguir:
*
"Um homem tinha dois cães. Transformou o primeiro em cão de caça; o segundo, em cão de guarda. Ora, sempre que o primeiro trazia alguma caça, o dono dava um pedaço ao segundo. O cão de caça, descontente, disse a seu companheiro em tom de reprovação:
— Sempre sou eu que vou à luta e arrisco minha vida. Depois de eu tanto trabalhar, tu é que te regalas.
O outro respondeu:
— Não tenho culpa nenhuma, vai te queixar ao nosso dono. Foi ele que, em vez de me ensinar a trabalhar, me ensinou a me alimentar com o trabalho dos outros. O filho não tem culpa dos maus ensinamentos que aprendeu dos pais".
*
Moral da história: somente aqueles que não gostam muito de trabalhar é que estão propensos a imaginar que o esforço mental despendido seja menos importante do que o esforço braçal.


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