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Renata F. Pagnoncelli
 
Estou na China.

17 de outubro de 2009

Zài Jián! Até a próxima

Depois de 11 meses morando na China e escrevendo sobre cada detalhe desse país, posso dizer que minha missão está cumprida. Muitas coisas que nos incomodavam no início (pois eram os choques culturais) já foram superadas e a pesada fase de adaptação acabou. Continuamos nos deparando com muitas peculiaridades chinesas, mas já reagimos diferente do início. Alexandro e eu viemos para cá para aprender mandarim e, claro, fazer negócios. Abrimos uma empresa de comércio de exteriores e agora não podemos mais nos descrever como estudantes, e sim como traders. A IES Trading está (felizmente) tomando grande parte de nosso tempo. Além disso, continuo tendo aulas na Universidade de Shenzhen e dando aulas de inglês. Está na hora de ajustar a agenda e me dedicar totalmente a essa nova rotina. Não digo que vou parar completamente de escrever, pois isso seria muito difícil, mas a coluna “Estou na China” está sendo temporariamente desativada. Espero, sinceramente, ter contribuído com cada um dos leitores de alguma maneira. Todas as vezes que sentei para escrever, fiquei imaginando meus amigos de infância, minha linda família e pessoas que nem conheço lendo. Imaginando as caras e bocas de todos. Se gostavam, se não gostavam, se ficavam indiferentes ou se as pessoas se colocavam em meu lugar para imaginar um pouco o que é viver na China. Imagino a minha avó, dona Cola, lendo e dando aquele sorriso só dela. Antes de me mudar para cá, busquei em livros e na internet um material parecido com o que eu escrevo para ler e não encontrei. Na época, gostaria de ler informações sobre o dia-a-dia, curiosidades e choques culturais, mas tudo que aparecia eram textos sobre a vida dos imperadores ou textos técnicos sobre a potência econômica desse país e coisas do gênero. O que eu buscava eram histórias sobre o povo nas ruas, o clima, a cultura atual (já que esse país tem uma história e uma cultura tão antigas). Por isso, fico feliz em perceber que, de alguma forma, pude contribuir preenchendo essa lacuna. Agora, estamos tomando o posto de empresários. Nossa meta é representar o Brasil aqui, para que todos possam ter a chance de fechar o tão famoso “negócio da China”. Temos o papel de ajudar nossos compatriotas a superarem os medos de importar produtos chineses e garantir que a grande barreira da comunicação não seja mais um problema nem para os brasileiros e nem para os chineses. Por esses motivos e por muitos outros, agradeço profundamente a fidelidade e o apoio que recebi durante esse meses de narrativas. Agradeço do Jornal de Beltrão pelo espaço tão precioso, tanto impresso quanto no website, e agradeço ao meu maior apoiador, incentivador, editor e divulgador, meu pai, Valdir Luís Pagnoncelli. Obrigada! Tài xiè xie nimen!

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