• FRANCISCO BELTRÃO       Outras

  • 00
  • Chuvas
  • 0mm
  • Temperatura máxima e mínima

Renata F. Pagnoncelli
 
Estou na China.

26 de setembro de 2009

Agindo como um camaleão

Depois de passar quase dois meses no Brasil, voltar à China é, no mínimo, interessante. Alexandro e eu retomamos a rotina rapidamente. Mal nos adaptamos ao fuso horário (de + 11h) e os negócios de nossa empresa já estavam acumulados, as aulas da Universidade de Shenzhen começaram e a dona do apartamento que alugamos nos deu um mês de prazo para sair. Tudo em meio ao mandarim, ao inglês e ao português. Nisso muitos chineses entravam e saíam de nosso cantinho o dia todo e a gente tendo que achar tempo para procurar outro lar. Essa busca me fez dar mais valor ao apartamento A26B de Xi Hai Ming Zhu. Olhando as poucas opções de apartamentos, o que víamos era uma tristeza (ou imundos ou de muito mau gosto e imundos). Uma tempestade de informações. Felizmente a proprietária da nossa casa desistiu de vender. Ela não queria ter que pagar a multa por quebra de contrato, que só vence daqui a cinco meses. Morar na China pode ser fácil e difícil. As pessoas são gentis, as frutas e verduras são excelentes, podemos nos sentir seguros quanto à violência. Há coisas maravilhosas por aqui, mas sempre será muito, mas muito diferente do Brasil. Sempre digo que gosto de tentar ser como um camaleão. Mas ao invés de mudar de cores, ter a capacidade de me adaptar a muitas situações e culturas diferentes. É um tipo de pensamento que nos ajuda muito nas horas que os choques culturais (que já narrei muitos) acontecem. Eu sou um camaleão! Essa ideia geralmente aparece quando pessoas nos furam a fila, quando o mercado está mais do que superlotado, quando estamos em algum restaurante e a etiqueta ao avesso impera, quando todos parecem estar querendo vender alguma coisa, e nós, barganhando, quando são curiosos com o modo que agimos, com o que compramos... enfim. Ser um camaleão! Assim, a cada dia fica mais fácil aceitar muitas coisas que antes pareciam absurdas, como o fato de tudo parar ao meio dia, ter que acocorar para ir ao banheiro, sentar num banquinho de bar imundo, no meio da calçada e comer habilidosamente com os Kuàizi (pauzinhos), comemorar os festivais chineses honrando as tradições e também pegar as frutas das árvores nas ruas de Shenzhen para vender (sim, aqui as árvores da calçada pública e da minha universidade são pés de manga, lichia, abacate e assim por diante). Aceitando e convivendo com os chineses nos faz perceber que todas as particularidades desse país do oriente têm uma beleza rara. A beleza de ser uma cultura tão forte, tão distante, tão desconhecida. Um exemplo disso é a falta de Natal. As aulas seguem normalmente nas nossas festas de fim de ano. Com tantas religiões aqui (budismo, taoísmo e confucionismo) não há mais espaço para o catolicismo. Eu poderia descrever mais inúmeros detalhes que são traços milenares que esse povo possui. Se é que já não fiz isso. Mas em todos os aspectos, me tornar uma camaleoa e ter a capacidade de me adaptar muito bem com tudo, com a China, ajuda muito.

© 2008 Editora Jornal de Beltrão S/A
Todo o material deste site não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.
Desenvolvido na
CEICOM