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Renata F. Pagnoncelli
 
Estou na China.

12 de setembro de 2009

O que colocar na mala antes de visitar a China

Quando comecei a arrumar as malas para mudar para a China, me deixei contagiar pelas informações teóricas que eu tinha sobre o país. De início pensei que poderia ir com as malas praticamente vazias (e foi o que fiz) porque poderia comprar tudo bem baratinho. Isso é quase uma verdade.
Mesmo lendo tudo o que aparecia em minha frente sobre a Terra dos Dragões, não conseguia ter ideia do que deveria levar (há não ser as encomendas do Alexandro, que já estava morando em Beijing há três meses). Agora, com um pouco mais de experiência, fiz uma lista de produtos que não se encontra na República Popular da China.
Como um bom rodo. Isso mesmo, rodo de secar o chão, de passar pano. Na China usa-se uma espécie de esponja com cabo, que você puxa uma alavanca e ele se contrai para tirar a água acumulada. Esse produto já pode ser encontrado no Brasil, mas, para mim, ainda não substitui o rodo. Quem sabe é força de hábito. De qualquer maneira, eu trouxe dois rodos brasileiros para a minha casa (sem o cabo, caso queiram saber).
Às vezes penso em aproveitar a mão-de-obra barata daqui e fazer uma fábrica de rodos. Acho que as chinesas iam gostar! Mas eu também precisaria fazer uma campanha para ensiná-las a usá-lo, mudar a cultura da limpeza, e isso seria mais complicado.
Outro utensílio doméstico natural no Brasil e impossível de encontrar na China é um bom pano de prato. Existem panos aqui, mas são toalhas de rosto. Não servem para a cozinha. Quando comento sobre isso no Brasil, as pessoas estranham muito. “Como assim? Os chineses não secam a louça?”. Essa pergunta eu ainda não sei responder, mas é evidente que a limpeza não é o forte desse povo.
Isso também se enquadra na higiene. Escovas de dente e fio dental, na China, são duvidosos. As escovas são enormes, não encontro com o tamanho e a maciez recomendadas pelos dentistas brasileiros (deve ter, mas ainda não achei). Para poupar as pernas, trouxe um pequeno estoque para cá. Aqui é preciso cuidar bem dos dentes, já que dentistas são caros e ainda não confiáveis.
Ainda no Brasil, as pessoas também estranhavam a minha busca por roupas. “Como assim, você quer levar roupas? Na China é tão barato! Eles fabricam para o mundo inteiro!” – isso é verdade, porém os chineses são pequenos e as roupas maiores fabricadas aqui são todas exportadas. Nas lojas chinesas é difícil encontrar peças tamanho acima de 38, 40.
Isso também vale para os calçados. O Alexandro tem mais problemas com isso do que eu. Calçados acima do número 40, só sob encomenda e procurando muito!
Nos primeiros seis meses que passei aqui na China, tive alguns problemas com a depilação (eu e todas as brasileiras de Shenzhen que jamais usariam a gilete). Acho até que fiquei meio neurótica. Trouxe muitos tipos e alternativas para combater os pêlos, sem raspar. Acho até que exagerei. Mas isso pode me render um dinheiro extra vendendo para as minhas compatriotas. Os chineses têm pouco pêlo nas pernas. Já nas axilas... Basta andar de ônibus no verão e se deparar com o sovaco peludo das mulheres. É cultural mesmo, assim como em muitos países da Europa. Mas nós, as brasileiras, temos pavor disso.
Então, mulheres, quando vierem para a China, não esqueçam que aqui não existe nem cera quente, nem cera fria. E é isso. Rodo, pano de prato, cera de depilação e também um bom vinho (a não ser que seja importado e muito caro) são produtos que não se acha na China. O resto dá-se um jeito. Um jeitinho brasileiro.


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