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Jorge Baleeiro de Lacerda
 
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4 de setembro de 2010

Osório Duque Estrada, o poeta do Hino Nacional

Volta e meia, algum gaiato se insurge contra o  “Deitado eternamente em berço  esplêndido”  de nosso Hino Nacional, como foi o caso do, então, deputado Amaral de Souza, pelo Rio Grande do Sul, que queria mudar para: “Altivo eternamente em gesto esplêndido”.  Só que o popular Amaralzinho,  que chegou a governador do Rio Grande do Sul, nunca explicou o que significa  “gesto esplêndido”. Já um padre do Acre, bom poeta, Manuel Albuquerque queria um novo estribilho:  “Paraguaçu, Caramuru, Tomé de Souza.”.
Felizmente nosso belo Hino Nacional, composição musical de Francisco Manoel da Silva, atravessou grande parte da monarquia e avançou pela República até  que o Marechal Deodoro  pelo Decreto nº 170, de 20 de janeiro de 1890 oficializou a velha composição, tão bela, já presente em todas as cerimônias, apesar de até então variarem as letras. Faltava-lhe uma letra definitiva.  O presidente  Epitácio Pessoa,  na véspera de 7 de setembro de 1922, pelo Decreto  nº 15671 declarou oficial  a letra de Joaquim Osório Duque – Estrada  . Já se executava a parte musical, há quase cem anos, como no-lo contam os autores como  Mariza Lira  (“História do Hino Nacional Brasileiro”),  Batista Siqueira  (“Hino Nacional- Ensaio Histórico e Estético”) e, agora  Maria Aparecida Vitta Maya,  sobrinha-neta de  Osório Duque-Estrada com a biografia de seu tio-avô:  “O Guarda Noturno da Literatura Brasileira- Vida e obra de Joaquim Osório Duque-Estrada). 
De Maria Aparecida V. Maya, outro dia, recebi longa carta, em que me falava  de seu trabalho, de sua colaboração no Jornal  “Tribuna de Itapira”.  Ela fez demorada pesquisa sobre Duque-Estrada, figuras de grande presença na imprensa  carioca dos anos  1910, 1920  nos jornais  “Correio da Manhã”  e  “Jornal do Brasil”,  em que  exercia a função de crítico. Duque-Estrada era professor de português no velho  estilo, a gramática acima de tudo. Rigoroso, vigilante e pronto para espinafrar quem claudicasse no vernáculo.
Gustavo Barroso, num discurso de despedida, disse que algum  “gaiato” o chamara de  “Guarda-noturno de nossa literatura”  pelo zelo com que exercia sua crítica, parte compendiada no livro   “Critica e Polêmica”, que, um dia, a  Academia Brasileira de Letras  republicará como tem feito com tantas obras. Aqui  cabe dizer que a biografia de  Duque-Estrada por sua sobrinha-neta foi editada pela  G. Ermakoff  em parceria  com a Academia Brasileira de Letras.
Outro dia achei, dentre meus livros sobre a Amazônia,   “O Norte”,  de 1909, livro leve, impressões  de turista.  ..
Gostaria muito ainda de encontrar o livro de Duque-Estrada sobre a  “Guerra do Paraguai”,  editado em 1913, tema que devia conhecer muito através de seu  pai Luiz de Azeredo Coutinho Duque-Estrada, que lutou na Guerra do Paraguai sob o comando do General Osório, cujo nome deu ao filho.
Vencido o concurso para a escolha do Hino Nacional Brasileiro,  Duque-Estrada recebeu críticas e elogios de todo o Brasil. Quem entendia de música sabia que nenhum concorrente havia escrito uma letra tão  polimétrica  para encaixar com perfeição numa  composição polifônica de exaltação patriótica.  Sua polimetria se expressa pelos  doze decassílabos, sete tetrassílabos, dois heptassílabos   e  dois trissílabos,  versos que só a mesquinharia de uma poucos poderia dizer que o  “deitado  eternamente” poderia enfeiar, quando se trata de uma metáfora.
Duque-Estrada teve paciência para com seus críticos e fez algumas mudanças , como registra  Maria Vitta Maya.  Trocou o verso  “Da Independência o brado retumbante” para  “De um povo heróico o brado retumbante”.  Dizem alguns críticos  que  “o brado”  é um cacófato... deselegante. Mudou  “És grande, és belo, impávido colosso”  para  “És belo, és forte, impávido colosso”.  Mudou  “o pavilhão que ostentas estrelado”  para  “O lábaro que ostentas estrelado”.
Muitos dizem que o povo não sabe o que é “Lábaro”. Ora, pois, pois... o povo que seja alfabetizado! A Pátria deve resgatá-lo da  ignorância vernácula,  não a pátria baixar o nível para fazer vencer a ignorância.
Duque-Estrada fez poucas mudanças, num total de onze versos mexidos, mas sem jamais perder a harmonia do conjunto. Nosso Hino, sua letra e sua música deveriam ser  cláusulas pétreas  da  Constituição  para que nenhum aventureiro tivesse a ousadia de alterá-lo, suprimindo belos versos e trocando o estribilho dessa verdadeira sinfonia ao: 
“Gigante pela própria Natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
 E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada.
Entre outras mil ,
És tu, Brasil.
Ó Pátria Amada.
Dos filhos deste solo és mãe, gentil,
Pátria Amada,
Brasil”!


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