Os tempos da terceira idade

Atualizado em: 17/02/2012 - 12:51

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Deparei-me perdido nas linhas e contornos de um rosto muito envelhecido devido ao tempo. Estava na fila do supermercado e, quando percebi, encontrei-me fixado no semblante de um idoso senhor. Naquele instante, pensei em todas as histórias já vivenciadas que acabaram moldando esta face envelhecida. Por um minuto, tentei me imaginar velho. Pensei em como seria meu dia a dia com as limitações que a idade traz. Convido a todos para realizar comigo este breve exercício.

Imagine uma roda de conversas que flui muito rapidamente. Estão falando sobre assuntos que te chamam atenção. Sua curiosidade está muito aguçada, porém, existe um pequeno problema. Seus ouvidos não conseguem identificar exatamente que palavras eles utilizam. O tal aparelho auditivo até ajuda, mas nestas situações fica realmente muito difícil. Ao indagar sobre algo, buscando a chance de entender aquela novidade, você simplesmente se percebe ignorado por todos.

Agora, como o diálogo ficou mais calmo, você entendeu que estão indo fazer compras. Alguém fará aniversário e um presente é requerido. Você levanta e caminha lentamente para seu quarto, para trocar de roupas. Quando retorna, flagra a família discutindo sobre a dificuldade de levar você para as lojas. O fato de não caminhar mais na mesma velocidade que os outros se torna um grande obstáculo. Calmamente você opta por ficar em casa vendo televisão. Decididamente a sensação de estar atrapalhando a diversão dos outros não te apetece muito.

Quando estamos com nosso corpo funcionando perfeitamente, esquecemo-nos de como as coisas serão no futuro. Esta falta de empatia acaba nos tornando sem paciência em relação àqueles que já estão velhinhos. Quem já não se flagrou falando alto e em tom irônico após um avô pedir repetição? Movimento intrincado este de acompanhar o tempo deste que já envelheceu. Porém, lembrar-se de que muito do que você é vêm justamente destas pessoas fará você pensar duas vezes antes de tomar atitudes agressivas ou negativas.

Como estamos falando muito sobre tempo, faz-se importante lembrar que é justamente o da terceira idade que urge. Levantando este detalhe relevante, será que não estamos passando pouco tempo com nossos velhinhos? Ou aprendendo pouco com eles? Recentemente minha avó, que mora no RS, teve que ser internada devido a uma grave complicação. Em um telefonema, após voltar para casa, ela me surpreendeu com a seguinte frase: “Não foi desta vez que me levaram!”. Fazendo-me pensar sobre a vida que, em determinado momento, chega ao fim, decidi visitá-la neste feriado. Escolhendo entre carnaval e minha avó, bem, nem preciso terminar esta frase.

E-mail: ericopo@brturbo.com.br

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