O exagero da persuasão

Atualizado em: 10/08/2012 - 10:32

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É verdade que já fui um chato musical. Sempre considerei péssimas as músicas que caem no gosto popular. Até então, tudo bem, afinal, a pluralidade é importante. O grande problema é que antigamente existia uma constante tentativa de convencer os outros que tais músicas eram ruins. Logo, não percebia quão desagradável era essa persuasão, pois pensava que minha opinião era a melhor. Com o tempo, o que modificou não foi o meu gosto, mas a imposição de outrora que perdeu força.

Quando estamos dentro de uma minoria, acontece com facilidade isso que explano aqui.  No exemplo acima, isso fica claro: se você não possui o gosto popular, faz parte de um grupo restrito. Porém, existe um delicado limite entre mostrar para o outro que existem demais caminhos e simplesmente impor de forma rígida a sua ideia sobre o assunto em questão. Neste sentido, há diversos subgrupos que fazem um uso errôneo desse exercício.

Um bom exemplo é o discurso vegetariano ou vegano. Acredito que se trata de uma das ideologias mais fortes dos últimos tempos. Contudo, peca na forma como se direciona àqueles que não adotam tal dieta. Acontece uma desqualificação preconceituosa que deixa a seguinte opção: ou você é um ignorante ou adota nosso ideal. Claro que existe o outro lado, que também ataca de forma veemente. De ambos os pontos, verifica-se uma intolerância que acaba sufocando o objetivo principal: propor novos direcionamentos.

É possível citar também a enérgica veia religiosa. Existem devotos que, por exemplo, pedem autorização para entrar na sua casa para explicar a crença que acreditam. Até aí tudo bem, visto que é você quem decide abrir a porta ou não. No entanto, existem aqueles religiosos de discursos inflamados que, ao se deparar com uma espiritualidade diferente, imediatamente se mostram contrários e tentam convencer o indivíduo a fazer parte do seu grupo.

Em suma, o preconceito se faz autorizado quando estamos em um grupo menor e embebidos por uma ideologia forte. Sou totalmente a favor das questões ideológicas e fico verdadeiramente feliz por perceber que isso se mantém. Aqui, a crítica se endereça ao exagero. Ninguém é inferior por comer carne ou vegetais, muito menos por sua crença religiosa ou gosto musical. De que serve um ideal se o respeito pelo diferente ficou para trás? Em tempos em que acontece uma ascensão da diversidade, parece ser um grande retrocesso obrigar o outro a pensar como você.

 

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