Respeito deveria ser lei

Atualizado em: 10/02/2012 - 09:47

comentários

Na época de estudante fiz muita festa. Já fiz proezas que hoje jamais ousaria repetir, como chegar em casa às 5 da matina, dormir menos de duas horas e acordar para trabalhar. Atitude típica da juventude que aguenta o rojão. Na época da faculdade, lá em Pelotas (RS), a coisa piorou. Não tinha como ficar em casa, era festa de segunda a segunda. A opção de barzinhos era imensa, e olha que legal: todos ficavam em frente à Universidade Católica. Um convite quase irrecusável. Como a educação vem de casa, sempre tentei ouvir o conselho dos pais: aproveite o período, saia com os amigos, mas não desperdice os estudos. Assim, com grande aperto no coração, por muitas noites não me envergonhei de deixar as baladas de lado, o estudo era necessário. As provas vinham e não estavam nem aí pra você que virou a noite enchendo a cara.

*

Inicio a coluna de hoje relembrando um pouco da minha trajetória de estudante pra dizer que festa é bom e a maioria das pessoas normais gosta. Ainda mais quando se tem 20 anos e uma vontade imensa de curtir a vida. Faz algum tempo que a discussão sobre a bagunça lá perto do Sesc e da Unipar está nas rodas de conversas. Estudei no Rio Grande e em Chapecó (SC), e lá, como aqui (e em qualquer lugar do mundo), tem pontos que concentram a juventude. Ou é na avenida, ou é perto das universidades, ou é nos aeroportos, ou em sítios, ou bares, casas noturnas. O point quem faz é a galera. E não precisa um aglomero de pessoas para a bagunça começar. Digo isso porque sou totalmente a favor da diversão, dos momentos de lazer. Temos que ter, extravasar. Só não vale falta de respeito.

*

Estranhei quando cheguei a Pelotas. Lá o povo tinha o costume de tomar chimarrão encostado nos carros, ouvindo música tradicionalista. Os mais ousados saíam das aulas e seguiam rumo à praia do Cassino, no famoso Laranjal. O objetivo era sempre o mesmo: passar horas agradáveis. Em Chapecó, os locais de festa eram outros, mas o foco era (e sempre será) o mesmo: entretenimento. Seja qual for o lugar, será assim: haverá pontos de encontro pra galera curtir um bom papo. E aí tem gente de todo tipo: os que gostam de cerveja, de música sertaneja, de rock pesado, de samba e cigarro. Os que ficam de boa, e os que exageram. Os que gritam, os que conversam. Os que sabem fazer festa, os que não sabem.

*

A polêmica sobre a algazarra que se transformou o prolongamento da Avenida Júlio Assis, próximo ao Sesc, não é novidade. Faz tempo. Começou timidamente com as reuniões no Industrial, em frente ao mercado. Depois o pessoal reclamou, e eles foram mais pra frente. Daqui a pouco vão estar lá no Contorno Leste. No ponto de vista de alguém que já passou por tudo isso — que fez festa nos três estados do Sul —, digo o seguinte: não se justifica. Nada do que vem acontecendo por aquelas bandas e tantas outras da cidade se aprova. A bebida pode ser, sim, o estopim pro cara que liga o som do carro no último volume se achar o máximo, mas se resta um pouco de educação (que vem de casa), o bom senso prevalece. Quem já não se excedeu? Passou dos limites em algum momento? Beber além da conta, falar mais alto e dar uma de sem noção é normal, só não pode virar rotina. E logo que isso aconteça, ou você ou algum amigo verdadeiro tem que avisar: baixa a bola!

*

Não precisaria lei do silêncio se todos soubessem o limite dos seus decibéis. Essa historinha da bagunça do Sesc é mais ou menos como a questão do foguetório fora de hora. Se o ser humano sempre se colocasse no lugar do outro antes de falar ou tomar qualquer atitude, o mundo seria mais justo.

Compartilhar esta notícia

Comentários