A crueldade nunca acaba
Atualizado em: 27/01/2012 - 08:30
Passei as férias longe das notícias, fiquei quase um mês sem internet e estou ainda sem TV a cabo. Por 20 dias não li jornal e nem prestei muito atenção na televisão. Quis realmente desligar minha mente de tudo que acontecia em volta. O motivo é simples: aproveitar a família, curtir o marido e o filho, que ainda está curtindo as últimas semanas de folga escolar. Retornei ao trabalho nesta semana e minha vontade era começar 2012 com uma coluna bem divertida, falando sobre sexualidade, comportamento e tudo mais que fizer bem ao nosso estado de espírito. Mas dedico o artigo de hoje a uma notícia que acontece praticamente todos os dias no país e no mundo, e que custamos a aceitar.
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No sábado, 21, uma menina de 7 anos, com olhos azuis e cabelo loirinho foi brutalmente morta em Santa Izabel D’Oeste. A pequena Danglhie me fez recordar o caso do pequeno Renato, também assassinato com 7 anos, em novembro de 2005. Foi em Marmeleiro que encontrei, naquela oportunidade, uma família destroçada pela crueldade humana. Agora foi a vez do colega Niomar Pereira enfrentar a dificuldade de não se envolver neste tipo de caso para transmitir a notícia. É difícil. Como é. Deparamo-nos com o que há de mais horrível no mundo: os monstros. Lá, a imagem fiel da maldade tinha o nome de José. Em Santa Izabel se chamava Cristiano. Ambos se mostravam pessoas amáveis, com boas intenções. Lá em Marmeleiro, o assassino falava de Deus, dizia-se missionário. Usava a fé e a religião para comover as pessoas por onde passava e ganhar confiança. Já Cristiano se mostrava prestativo. Era educado, pedia “com licença” pra ir ao banheiro e até ajudou a consertar a moto da família. Ambos têm mentes diabólicas que se camuflavam atrás da pele de cordeiro. Renato foi capturado em frente a sua casa, enquanto brincava na rua. Danglhie estava dentro de casa, dormindo. Numa análise muito rápida, de quem é mãe e tenta levar a rotina de trabalho e vida social, concluo: como se esperar uma tragédia dessas? Como dizer que essas crianças estavam sob risco de qualquer acontecimento ruim? Não se pode dizer, porque simplesmente não estavam. Ambas eram amadas, protegidas, tinham mães amorosas e zelosas.
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Meu filho completa 10 anos em junho de 2012. Ainda o vejo como aquele bebezinho que precisa de colo o tempo inteiro. Ele, ao contrário, já se enxerga como um homenzinho e está vivendo as descobertas e dúvidas da pré-adolescência. Em seu caminho vão cruzar muitas pessoas, boas e ruins. A mim cabe a tarefa de protegê-lo. Aos poucos ele já faz pequenas ousadias: vai comprar picolé sozinho ali perto de casa, começou a ir a pé para à catequese e brinca na rua — uma vida de criança como qualquer outra e bem menos aventureira que a que nós tivemos na nossa infância. No meu tempo era diferente. Não sei se havia menos monstros soltos ou se as notícias não chegavam até nós. Mas o que sei, em plena semana de volta ao trabalho, é que a crueldade nunca acaba. Foi com Renato, com um menino em Mariópolis em 2010 e agora com Danglhie. O que mais entristece é que não serão os últimos anjos. Há, sim, muitos monstros, jogados de prisão em prisão, com penas reduzidas por “bom comportamento”, que logo voltam às ruas procurar suas vítimas. Quando crimes hediondos voltam a ser notícia, o povo grita por justiça e reforça a vontade de existir, para esses casos, a pena de morte. Então vem o pessoal dos “direitos humanos” dizer que não temos direito de tirar a vida de uma pessoa. Mas e de monstros?
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Nessa pirâmide de sentimentos que é ser mãe, comemoro: o fim das férias está próximo. Mas mãe é mãe e a simples despedida do dia — aquele até logo — somente se confirma quando meu filho cruza portão adentro. Com o coração partido o dia volta para sua rotina normal, com correria. E uma triste certeza: proteção total não há, ainda mais nesse mundo cheio de monstros bem disfarçados.

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