Um conto chinês
Atualizado em: 06/07/2012 - 11:35
Por Maicon Portes
É o melhor filme sobre ditadura que eu já assisti. Esta foi a primeira coisa que eu pensei após assistir O segredo dos seus olhos. A segunda foi: esse Ricardo Darín deve ser o melhor ator da América do Sul vivo. Não sei se é o melhor, mas assisti cinco filmes dele no último mês: A aura, Nove rainhas, Um conto chinês, Clube da lua e O segredo dos seus olhos. Todos de alta qualidade e com personagens diferentes de um filme para outro. Não é o tipo de ator que faz sempre o mesmo papel, como muitos ovacionados por aí. Comento hoje sobre Um conto chinês, um dos mais engraçados dele.
O filme mostra com excelência como nós, ocidentais, olhamos para o oriente. É mais ou menos como aquela história das misses conversando: “bah, mas seria muito legal se as duas chinas vivessem em paz”, no que a outra corrige “duas coreias” e ouve prontamente como resposta “ah, esses japoneses são todos iguais”. Na há como negar que quando pensamos em oriente temos uma fórmula pronta na cabeça, assim como temos de tudo que nos é diferente. Estereótipos infindáveis sobre outros lugares, assim como devem ter uma imagem sobre o Brasil no exterior também, mas no caso dos olhinhos fechados a questão é mais incisiva, principalmente pela aparência física.
A história é a de um argentino (Darín) que encontra um chinês (Ignacio Huang) perdido em Buenos Aires e decide dar abrigo ao rapaz. Um não entende nada do que o outro fala e a embaixada chinesa não pode dar abrigo, forçando o hermano a conviver com o rapaz oriental. A falta de comunicação entre os dois e o personagem portenho extremamente sistemático produzem cenas engraçadíssimas. Como o uso de um entregador de comida chinesa para intérprete e até mesmo uma certa história de encontros românticos e uma vaca voadora. Comentários soltos, sem contar muito para não estragar a diversão, que é garantida.
Um conto chinês
(Un cuento chino)
Argentina – 2011
Diretor: Sebastián Borensztein
Produção: Pablo Bossi, Juan Pablo Buscarini, Gerardo Herrero, Axel Kuschevatzky e Ben Odell
Roteiro: Sebastián Borensztein
Elenco: Ricardo Darín, Muriel Santa Ana, Javier Pinto, Ignacio Huang, Julia Castelló Agulló e Enric Cambray
Fotografia: Rolo Pulpeiro
Trilha Sonora: Lucio Godoy
Duração: 95 minutos
Orçamento: US$ 1,2 milhões
Classificação: 12 anos


Comentários