Diários de motocicleta

Atualizado em: 11/05/2012 - 10:21

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Por Maicon Portes

Assistir Diários de motocicleta dá vontade de comprar uma moto; conhecer o Chile; viajar sem destino; ouvir música em espanhol; estudar espanhol; descobrir a América Latina com pouco dinheiro; comer comidas argentinas e bolivianas; conhecer moças argentinas; estudar medicina e sair estrada afora curando o mundo; dar valor à nossa língua, às nossas belas paisagens; viver, pra variar; conhecer novas pessoas, fazer amizades, ouvir suas histórias e contar as nossas; valorizar um pouco mais nossos grandes amigos e amigas; atravessar um rio a nado; se desprender da rotina claustrofóbica. Tudo isso ao mesmo tempo, no mínimo.

O filme conta a história de uma viagem feita por dois jovens aventureiros — Ernesto ‘Che’ Guevara e Alberto Granada. O objetivo: ‘Conhecer na prática a América Latina que só conhecemos nos livros’. Juntos embarcamos em um caminho de descobrimentos sem volta. Que mudam nossas percepções de mundo. Digo nós porque foi o caso pra mim, a partir do filme comecei a olhar de forma diferente para o mundo.

Walter Salles tem tendência a um gênero de filme que muito me agrada: roadmovies. Portanto, o diretor brasileiro é um dos meus favoritos, desde Central do Brasil acompanho muitas obras dele. E Diários de motocicleta é um dos melhores. Talvez porque conte a história de Che Guevara anterior ao mito pintado em camisetas vermelhas mundo afora, mostrando que todo mito tem um pouco de carne e osso, ou quem sabe pela excelência que Salles dirige seu filme, transmitindo sem problemas todas as sensações do primeiro parágrafo.

O porquê eu não sei, mas assistir os dois malucos erguendo poeira América do Sul adentro faz você se sentir livre, quase com poderes, aqueles próprios que só um bom vento na cara pode proporcionar, poderes sobre-humanos. Que nos faz entender o lado humano do revolucionário argentino e querer quebrar as amarras da injusta distribuição, ou quem sabe dinamitar a grande ilha de Manhattan.

 

Diários de motocicleta
Argentina, Brasil, Chile, Reino Unido, Peru, Estados Unidos da América, Alemanha, França e Cuba – 2004

Diretor: Walter Salles
Produção: Edgard Tenenbaum, Michael Nozik, Karen Tenkoff
Roteiro: José Rivera
Elenco: Gael García Bernal, Rodrigo de la Serna
Fotografia: Eric Gautier
Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla
Duração: 126 minutos
Classificação: 12 anos

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