Opinião: O povo nas ruas...

Atualizado em: 22/09/2011 - 09:15

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Algo importantíssimo está se construindo no Brasil com a força popular. E quando a opinião pública se manifesta os pilares democráticos se fortalecem. Há um movimento iniciado nas redes sociais, fazendo voltar a "vassoura verde amarela", exigindo uma completa mudança nas atitudes dos membros que exercem cargos públicos em todos os níveis. Pode-se dizer que o Brasil enjoou de corrupção. Se o grito for ouvido, os homens de bem estão sendo chamados para a grande responsabilidade de construção da nova organização político-administrativa, onde a transparência, a ordem, a justiça e o direito sejam a meta principal. Mas que o direito que se exige seja também o exercício do dever. Ninguém está impondo a reinvenção da roda. Apenas que ela ande pelos caminhos que lhe são próprios. Começa uma forte onda de repúdio contra os atos de corrupção, sem direção partidária, sem acusação de dedo em riste, sem confronto. Quer-se o fim da corrupção em todas as fases da vida...

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Então eu fico pensando em tantas coisas... No sistema educacional do povo brasileiro e o papel sem limites da imprensa nacional, da mídia televisiva e radiante, do jornalismo de papel ou virtual, do conteúdo imposto às escolas, na imensa onda de divulgação do mal com tanto destaque aos bandidos e corruptos, da descabida ideia de que tal tipo de programação dá audiência e retorno financeiro. Mas e o compromisso da população adulta com a educação de crianças e jovens? E como encarar o sistema de distribuição de verbas e encargos aos municípios, num ambiente já corrupto por dentro, onde a desconfiança e falta de políticas públicas colocam em risco a reputação dos que governam?

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Fico pensando na imensa rede de distribuição de drogas — uma organização eficiente da bandidagem, enfiada em cada esquina, rondando escolas e universidades. Imagino o que deve estar acontecendo com o dinheiro público destinado à Copa do Mundo, com leis e práticas especiais para a contratação de obras e serviços...

 

O remédio

Segundo a visão da opinião pública, o eficiente remédio contra o câncer da corrupção social e política está na simplicidade das regras, sem essas leis de subterfúgios e brechas por onde os grossos tubarões do dinheiro público sempre escapam. A Lei da Ficha Limpa, a proposta do fim do voto secreto, a Lei do Impedimento Sumário, a Lei da Responsabilidade Fiscal e Administrativa, a declaração de que atos de corrupção devem ser considerados crimes hediondos, a modernização dos processos de julgamentos, são algumas situações em que o povo exige "tratamento diferenciado", ou seja: punição rigorosa!

 

Representatividade

A Câmara Municipal de Francisco Beltrão optou pela composição de quinze vereadores para a continuidade da história! Se de verdade somos um sistema democrático, dentro do regime republicano, segundo preceitos do Estado de Direito, quanto mais participantes e representantes na política local, melhor! Mas vale lembrar: credibilidade não se conquista só com quantidade. Será necessário um grande esforço, em todos os municípios brasileiros, para colocar o legislativo municipal no lugar que lhe foi destinado constitucionalmente. E também vale lembrar que a Câmara Municipal é a instituição primeira da política nacional. É nela que tudo começa. O descrédito da atividade legislativa municipal origina-se nas práticas indecentes dos parlamentos estaduais e federal. A instituição legislativa é polêmica por si só, pois nela se canalizam todos os anseios da opinião pública, não importando as correntes ideológicas. Tudo o que se pede e tudo o que se dá, em concessões ou leis, nem sempre são sinais de justiça.  Na ordem socioeconômica, corrupção não significa melhora cultural. Política é a promoção do bem comum. Na verdade, no mundo dos homens e mulheres, esta prática é bastante difícil. Os descrentes a consideram utopia. Embora possam ter razão, nunca se deve deixar de promovê-la.

 

Itacir Camilo Rovaris, membro do Centro de Letras de Francisco Beltrão — E-mail: irovaris@bol.com.br

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