Os malandros

Atualizado em: 07/08/2012 - 11:16

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Malandragem e esperteza são palavras que não combinam com honestidade. Na verdade, são diametralmente opostas porque pessoas honestas não devem se aproveitar de uma situação para levar vantagens em relação às outras, mormente quando há prejuízos em qualquer que seja a natureza: econômica, moral ou espiritual. Muitas pessoas se acham espertas, mas não o são. É que para um esperto, sempre há outro melhor. A malandragem em nosso país está vinculada ao popular adágio imortalizado pela Lei de Gerson: "gosto de levar vantagem em tudo". Essa lei é aliada ao não menos famoso "jeitinho brasileiro". Sempre quando ambas atuam, instituições e indivíduos são lesados e a forma jurídica os define como atos dolosos. Para os malandros, a verdadeira malandragem, a bem-sucedida, é aquela na qual o malandro engana o "otário" sem que ele perceba ter sido enganado. Se considerarmos que a malandragem é a arte de manipular as pessoas, enganar autoridades e driblar leis, poderemos ter sérios problemas em encontrar pessoas verdadeiramente honestas. Como se isso fosse pouco, a literatura ainda coroa essa classe como típicos herois brasileiros "do avesso". Quanto à arte de manipular pessoas, alguns estudiosos entendem que a malandragem há tempos é utilizada como modo de vida, posto que, nos meios sociais, consideram malandro o adúltero que convence a mulher de sua falsa fidelidade; o patrão que "dá um jeito" de não pagar os funcionários tal como deveria etc. Sob esse prisma verificamos que boa parte dos seres humanos não passa de meros malandros, que embora não personifique a clássica figura do malandro com chapéu e roupa adequada, encaixa-se perfeitamente na "Ópera do Malandro", de Chico Buarque de Hollanda. Há, inclusive, apologia aos malandros para ensinar as mulheres como fazer para conquistá-los. A malandragem e a esperteza são tamanhas neste solo brasileiro, que a situação degenerou-se para corrupção generalizada, na qual ao invés de ocorrer a punição, as coisas tendem a piorar quando malandros se acham mais sagazes do que os espertos, ou vice-versa. Nestes casos, a impunidade é sempre certa. Em matéria de desonestidade, não há como diferenciar o malandro do esperto. Ambos são aéticos. Mas, existem espertos que se acham ofendidos quando são chamados de malandros. Nosso conto, postado na internet por Edilson Rodrigues Silva, revela que a dupla é ambígua em suas índoles:

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"A vovó entrou no banco e disse para o rapaz:

— Meu jovem! Ontem quando voltei para casa eu vi que, na minha conta, houve um engano de mais de R$ 50,00.

— Lamento, senhora! Não podemos fazer nada. A senhora deveria ter reclamado ontem mesmo. Agora é tarde demais.

— Puxa vida! Obrigada, meu filho! Eu estava mesmo precisando de um dinheirinho ou mesmo de uma renda extra pra comprar umas coisinhas".

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Moral da história: para cada ato desonesto ou criminoso nesta vida, o ser humano despe a roupagem da alma. Quando deixar esta existência, entrará nu na outra, e estará pronto, pela lei da reciprocidade, a receber as mesmas sevícias pelos atos que aqui praticou.

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