Uma boa definição de sociedade democrática

Atualizado em: 08/08/2012 - 10:03

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Sem Fórmula-1, no último domingo de manhã, fui ler sobre teoria política, um livro novo que estava na minha estante. E me deparei com um bom texto, do sempre excelente português João Pereira Coutinho, que citou um autor britânico desconhecido para mim, Michael Oakeshott, e um livro ainda mais desconhecido, que nem tem tradução brasileira, "The politics of faith and the politics of scepticism" (ou algo como "a política da fé e a política do ceticismo", ou como uns levam a política como uma fé, uma verdade absoluta, e outros que preferem ser céticos, não no sentido de desacreditar de tudo, mas de não confiar instantaneamente em tudo da política...).

Encontrei uma excelente definição de sociedade democrática: "governar é manter a ordem superficial, manter um sistema de direitos e deveres, e também formas de reparação".

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Achei muito boa essa definição, que se contrapõe à ideia totalitária da esquerda de que o Estado deve definir até a vida das pessoas. As pessoas, numa concepção livre e liberal, devem se definir por elas mesmas, e ao Estado (a quem elas pagam seus impostos) cabe essa garantia superficial da ordem.

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O fanatismo do fascismo italiano, do nazismo alemão e do comunismo russo — para usar três exemplos de dimensões históricas — tem uma base comum: querer que o estado (ou o partido) determinasse "o certo" e "o errado" para as pessoas, para as famílias, para a sociedade, em última análise. Deu no que deu: mortes e atraso.

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O ceticismo inscrito no ensaio citado por Coutinho é exatamente esse: não acreditar que o Estado tenha todas as respostas — porque ele definitivamente não as tem. A vida é feita de escolhas, e dentro delas existem possibilidades e fatalidades. Enfim, bem melhor uma sociedade com pessoas livres do que com pessoas tuteladas.

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O Estado, por seu turno, é sempre burocratizado e tende a se corromper. Todas as experiências mundiais de aparelhamento estatal provaram que os maiores prejudicados disso são as pessoas. A maioria das pessoas, porque sempre existe uma elite dirigente que se aproveita da inocência de muitos e da estupidez de outros tantos.

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