Um Brasil melhor com Lula

Atualizado em: 28/12/2002 - 00:00

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Retomo a famosa frase de Marx, de que a história se repete. A história se repete, na verdade é uma frase de Hegel, e Marx, querendo aparecer, acrescentou: mas na segunda vez é como farsa; e na vaidade dos dois alemães famosos, o comunista angariou mais prestígio que o idealista.
O que um e outro quiseram dizer foi já por demais analisado e interpretado por tanta gente que virou domínio público, como uma piada, ou uma historinha infantil, ou qualquer sofisma que pretende dar uma lição de moral em alguém.
A história se repete agora, com Lula no poder, compondo com quem ele está compondo (PTB, PL...), como FHC há oito anos, que se submeteu a ACM e seu então todo-poderoso PFL.
Lula, parece-me, mantém um estilo mais centralizador que FHC. Centralizador no sentido positivo do termo, do sujeito que sabe tudo que pode acontecer.
FHC, na minha impressão, soube direcionar o governo — todo o governo — no que elegeu de fundamental, que foi e é a estabilidade. E com isso sacrificou alguns anseios nacionais, como reforma política, tributária e previdenciária.
Não podemos negar que foi uma coisa boa a estabilidade, que hoje, se acaso a inflação voltar, terá muito mais soldados para combatê-la do que no passado. A menos que se trate única e exclusivamente de estratégia política a fim de desmoralizar Lula e seus aliados. Mas eu não acredito nisso.
Eu acredito que com Lula o pais crescerá em todos os sentidos, a começar pelo democrático e da ética pública, também economicamente haveremos de crescer, e, não tenho dúvida, o Brasil neste início de século 21 se consolidará cada vez mais como o principal porta-voz mundial da América Latina. Ou seja, uma posição política que orgulha a todos.
Só para lembrar: em 1990, quando os EUA atacaram o Iraque, que tinha invadido o Kuait, Bush pai conversou aqui com essa parte do planeta com Carlos Menem, presidente da Argentida. Nosso Collor passou batido...
Se é certo que a história se repete, não é certo dizê-la, ou decretá-la, que a segunda vez será uma farsa.
Com Lula, sucedendo FHC, o país avança, e coloca a disputa política num patamar mais elevado — como, para citar um exemplo que me ocorre, foi elevado o segundo turno em São Paulo entre Geraldo Alckmin e José Genoino. Como é bom ver SP (e o Brasil) sem Maluf!

*Depois que as coisas acontecem, fica fácil dizer que aconteceram no momento certo. É uma forma de compensação, ou de querer esquecer o passado. Se nos apaixonamos e somos correspondidos dizemos que este amor está acontecendo no momento certo, e esquecemos os amores perdidos do passado. Um passado, enfim, que não seria o momento certo.
Lula, por exemplo, ganhou agora a presidência da República, na sua quarta tentativa, e muita gente deve estar dizendo que é o momento certo, premiando assim a obstinação petista e esquecendo as derrotas passadas.
Depois que tudo acontece, ou quando vivemos um bom momento, sempre será o certo, porque não conseguimos visualizar o passado. Até porque, e fundamentalmente, no amor e na política, se o passado tivesse sido diferente acarretaria conseqüências para o presente. E, então, entre aspas, ‘‘o momento certo’’ seria outro.

*Para todos nós, que o histórico ano de 2003 seja mais um ano de renovadas esperanças e bom senso. E utopia, sempre necessária na vida.
‘‘O que é utopia? Gostaria de descrevê-la com as palavras do escritor latino-americano Eduardo Galeano, que diz:

A utopia está no horizonte:
quando caminho dois passos
ela se afasta dois passos.
Eu caminho dez passos
e ela está dez passos mais longe.
Para que serve a utopia?
Serve para isso:
para caminhar.’’

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