Criatividade e governabilidade
Atualizado em: 15/02/2003 - 00:00
É um exagero dizer que a sucessão municipal já está nas ruas, que 2004 já chegou e as campanhas estão acontecendo.
Mas não é exagero afirmar que internamente os partidos mais fortes e suas coligações já debatam o momento político atual de olho no ano que vem.
São duas as análises superficiais que norteiam os pensamentos atuais: a popularidade de Lula será decisiva para o movimento do PT nas disputas municipais. Óbvio que se o presidente (e o país) estiver bem, crescem as chances petistas de encabeçarem chapas. O contrário também é verdadeiro: desgastado, o PT não teria cacife para se propor como alternativa de poder.
A segunda análise segue o mesmo raciocínio anterior transportado para o governo estadual, relativo ao PMDB.
Mas a política não é feita de superficialidades, e dizer que Lula e Requião, bem ou mal, mexem com o xadrez político das cidades é ter um raciocínio acomodado.
Independente de desempenhos federais e estaduais, conta-se mais o conjunto de propostas e alianças locais. Propostas criativas porque é um consenso entre as cabeças políticas mais maduras que ninguém faz milagres, e ninguém entra na política para fazer o mal que ofereçam caminhos para soluções e tenham sempre presente que a participação popular a partir de agora é regra geral na política.
Está cada vez mais fora de moda imaginar que se governa longe do povo.
Alianças locais significam governabilidade. As candidaturas municipais, além das propostas criativas, têm de ter uma boa base de sustentação nos partidos, e na opinião pública.
Aventuras ou candidaturas de apelo emocional podem conquistar votos e, quem sabe, até vencer. Mas daí quem perde é o município e sua história, como acontece num município onde até hoje o prefeito parece não ter se achado, e trabalha querendo se esconder, parecendo ter vergonha do estranho lugar onde está.
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Sou, decididamente, um sujeito influenciável. No início do mês estive em Brasíllia e, entre outras coisas, visitei o memorial JK, que é onde há um monte de coisas ligadas diretamente a Juscelino Kubitschek. Saí com a firme convicção que tenho de comprar uma biografia do ex-presidente, para saber mais sobre ele e o país naqueles emblemáticos anos 50/60.
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Outro dia, lendo um artigo da psicanalista Betty Milan na Folha de S. Paulo, vi uma frase bem legal, que diz mais ou menos assim, para nos confortar de que nesta vida nunca acertamos 100%: nossa existência necessita da contribuição milionária de todos os nossos erros, numa lembrança que ela fez ao escritor Oswald de Andrade.

