Cinco anos para Lula e deputados federais

Atualizado em: 04/01/2003 - 00:00

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Na campanha do ano passado, o candidato José Serra comentou que na reforma política proporia a discussão do calendário eleitoral. Depois das eleições, percorrendo os municípios para agradecer o apoio, o candidato ao governo Rubens Bueno criticou a cobertura da imprensa nas eleições, que só se preocupou com o andamento entre os presidenciáveis, esquecendo dos governos e dos candidatos aos parlamentos.
Eu sou contra o idéia, que muita gente é a favor, de se fazer um único ano eleitoral, envolvendo vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores e presidente. Se, como está, de estadual a presidente, já é demais, imagina incluindo os pleitos municipais.

Diferente de muita gente, eu sou a favor de eleição. Quanto mais, melhor. Eleição politiza, por mais que se diga que as propostas são as mesmas, ou que quem comanda são os marqueteiros. Pode até ser, mas é uma fase. Nada é perene na vida, muito menos na política. No passado, ganhava a ‘‘personalidade’’ do candidato; atualmente contam bastante os apoios, os financiamentos; no passado, discurso agressivo era sinônimo de firmeza, e conseqüentemente votos; hoje quanto mais ligth, melhor. São fases.

Se vivemos no fim do século 20 e início desde 21 a era dos marqueteiros, nada indica que daqui a dez aos será a mesma coisa. Pode ser. Mas pode não ser. Até porque essa era já sofre uma certa resistência: não basta ser uma campanha bonita, tem de apresentar alternativas.

Repito, quanto mais eleição, melhor. E sem reeleição. Minha proposta, para agradar Serra e Rubens, seria a seguinte: um mandato tampão de um ano para Lula e os atuais deputados federais, com eleição presidencial em 2007, para o sucessor do petista e para novos deputados federais.

Assim, em 2004 teríamos, como teremos, eleição de prefeitos e vereadores; em 2006, de governador, deputados estaduais e senadores; em 2007, repetindo, presidente e federais; em 2008 novamente eleições de prefeitos e vereadores; em 2010 governadores, deputados estaduais e senadores; em 2012 haveria coincidência entre as presidenciais e de federais com as de prefeitos e vereadores.

Em 2014 governadores, estaduais e senadores; em 2016 as municipais; e em 2017 as presidenciais, e assim por diante.

Haveria, claro, alguns embates que casariam as eleições. Mas seria episódico, e até interessante pela circunstancial novidade.

No mais das vezes, porém, haveria um calendário bem mais leve do ponto de vista eleitoral, com a população se acostumando e cobrando cada vez mais. Ao mesmo tempo, acredito que a disputa ficaria mais civilizada: a banalização das eleições tiraria o caráter que muita gente imprime de ‘‘tudo ou nada’’ numa campanha política.

Poderia se criticar o gasto de uma campanha. Mas assim como o futebol teve aqueles salários astronômicos para os ídolos até um tempo atrás, e agora já vive anos de economia radical, as eleições também poderão baixar seus gastos. Flávio Arns, para dar um exemplo, se elegeu senador ano passado e não deve ter gastado nada fora do orçamento planejado.

Outra crítica seria que em ano eleitoral o país pára. Bom, isto é um risco que se corre. Mas não custa tentar e acreditar que, com a sucessão de eleições, a sociedade exija também que os atuais governos (porque não existiria reeleição nesta minha proposta) trabalhem normalmente.

Além do samba e futebol, seríamos conhecidos também, em uma década, como o país da eleição.

Bem melhor que Cuba e Iraque, lembrados no imaginário popular com referências distantes da democracia.

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