Assessoria parlamentar

Atualizado em: 11/01/2003 - 00:00

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Durante a disputa para o governo gaúcho, o coordenador da campanha de Tarso Genro, Jose Eduardo Utzig, morreu de um ataque fulminante.
Tanto Lula quanto José Genoino, candidato ao governo de SP, pararam suas campanhas e foram a Porto Alegre prestar a última homenagem ao sociólogo que havia sido, por oito anos, chefe de gabinete de Genoino em Brasília.

Utzig tinha no currículo também o cargo de secretário de Captação de Recursos Internacionais da prefeitura de Porto Alegre e era reconhecido por aliados, jornalistas e adversários, como um sujeito altamente qualificado.

Escrevo isso para dizer que é sempre muito importante que nossos deputados tenham bons assessores perto de si. Claro que não se encontra um Utzig tão facilmente, mas a busca deve ser neste sentido. Não se deve também trabalhar além da conta, forçar o coração e o cérebro, posto que o descanso é necessário para, depois, se trabalhar com mais eficiência.

Ser deputado ou deputada populista, ou levar adiante o mandato de forma medíocre, revelam um conservadorismo que não percebe o momento político que o Estado e o país estão vivendo.

Cada vez mais a exigência será maior. Por isso os mandatos devem ter, na medida do possível, quadros preparados para o trabalho. Assim, lamento que Claudemir Freire, que por dois anos foi chefe de gabinete da deputada Luciana Rafagnin, não esteja mais na função.

Lamento, porque Claudemir é um quadro competente, com experiência e inteligência à altura das exigências que a nova conjuntura se apresenta para os políticos em geral e para os petistas em particular neste momento histórico que vivemos.

Momento histórico, sim. Não pensem os petistas que a política agora vai ser sopa-no-mel, como quando se era oposição e as ‘‘boas idéias’’ não aconteciam porque, afinal, era-se de oposicão.

Não aconteciam por uma série de circunstâncias; e os porta-vozes lulistas terão de estar preparados para explicar, eventualmente, porque agora aquelas boas idéias continuam sendo apenas boas idéias.

E, para encerrar: um mandato — como uma prefeitura, um governo, uma administração — deve ser plural, como Lula disse que queria seus ministérios e secretarias especiais (e por isso o PMDB ficou fora do primeiro escalão, porque queria pastas onde pudesse nomear até o 5º escalão).

Plural significa romper a tradiçãozinha setorizada da luta social, onde cada um tem sua verdade e se acomoda dentro de si mesmo.

Em 1990, Collor, como Lula hoje, também teve um início de governo com amplo apoio popular e da mídia.
Hoje Lula sai do Alvorada e bate foto com as pessoas, cumprimenta meio mundo e tal. Na época de Collor, ele fazia esportes radicais e corridas nos fins de semana.

A diferença fundamental é que Collor era ele apenas, e constituiu uma base de apoio predisposta à corrupção, além de um ministério fraco.

Lula, ao contrário, tem militância, prestígio internacional e sustentação intelectual na sociedade, além de ter formado um ministério muito bom e possuir, no congresso, hábeis negociadores.

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